Trabalhadores do Caminho-de-Ferro de Luanda sem salários

Até ao presente momento ainda não pagamos os salários, porque temos problemas de liquidez, de dinheiro, os comboios suspenderam a sua actividade em função do novo coronavírus.

Luanda /
03 Abr 2020 / 14:44 H.

Trabalhadores do Caminho-de-Ferro de Luanda (CFL) estão sem o salário de Março, situação que se deve à já débil situação financeira da empresa, agravada com a Covid-19, disse hoje à agência Lusa o porta-voz da empresa.

Augusto Osório confirmou informações sobre o atraso no salário do mês de Março, reclamado pelos cerca de mil trabalhadores do CFL, que se manifestam preocupados face à situação de confinamento devido ao novo coronavírus, que já causou no país dois óbitos de um total de oito casos positivos.

“Até ao presente momento ainda não pagamos os salários, porque temos problemas de liquidez, de dinheiro, os comboios suspenderam a sua actividade em função do novo coronavírus”, explicou.

Segundo Augusto Osório, esta situação “não é novidade nenhuma”, para os trabalhadores, que “sabem a dificuldade que a empresa tem enfrentado nos últimos tempos”.

“E não é a primeira vez que acontece, queria já deixar bem claro, já aconteceu mais vezes”, referiu.

Para um dos trabalhadores, que pediu anonimato, “o mais grave é que não dizem nada” a justificar a situação.

“Pelo menos um comunicado não conseguiram emitir para dizer o porquê desse atraso”, reclamou.

O porta-voz do CFL referiu que a situação de confinamento das pessoas tem dificultado a comunicação, tranquilizando os trabalhadores, que a situação será resolvida nos próximos dias.

“Como as pessoas não estão a aparecer no local de serviço a fluidez da informação tem sido complicada, na medida em que quando eles apareciam no local de serviço, mais facilmente a informação passava, neste momento fluir a informação é bocado mais complicado”, frisou.

De acordo com a fonte, são situações como a dos trabalhadores do CFL, que estão a influenciar o cumprimento do estado de emergência decretado no país, ao confinamento social, “porque as pessoas precisam de encontrar formas de sobrevivência”.

Para a fonte que vimos citando, o atraso que se verifica no pagamento de salários tem a ver com “o actual conselho de administração”, exemplificando que a situação que enfrentam não se verifica com os restantes trabalhadores do Caminho-de-Ferro de Benguela ou do Caminho-de-Ferro de Moçâmedes.