Testes para voos domésticos vão ser comparticipados

Os testes serológicos RT-PCR da COVID-19 para o embarque de passageiros nos voos domésticos vão ser comparticipados com valores entre 6 e 10 mil Kz, anunciou, ontem, em Luanda, o secretário de Estado para a Aviação Civil.

Luanda /
16 Set 2020 / 10:19 H.

Em conferência de imprensa, Carlos Borges informou que está em curso um trabalho conjunto, entre os Ministérios da Saúde e dos Transportes, para a efectivação desta iniciativa.

“Durante esta semana inicial, o Ministério da Saúde está a assegurar a realização de testes, mas estes vão ser comparticipados e o objectivo é disponibilizá-los ao mais baixo custo possível. Ainda não são valores precisos, mas andam ao equivalente a seis mil ou 10 mil Kz”, informou, sublinhando que existe um trabalho para se alargar o número de entidades e capacidade de execução dos testes.

Para a retoma gradual dos voos domésticos, além do aeroporto de Luanda, foram seleccionadas cinco unidades aeroportuárias por causa do seu impacto sócio-económico, nomeadamente a de Cabinda, Soyo (Zaire), Catumebela (Benguela), Lubango (Huíla) e Huambo. Nesta primeira fase, terão uma frequência semanal (ida e volta).

O secretário de Estado garantiu que os aeroportos têm condições de testagem e estão preparados para a retoma dos voos.

Informou que as companhias aéreas privadas domésticas têm operado com voos não regulares, de forma “ad hoc”, sublinhando que as medidas de biossegurança serão reforçadas. No primeiro voo doméstico para Cabinda, a TAAG utilizou o Boeing 737 (120 lugares), em detrimento da aeronave Dash 8 -400 (75 lugares), que forma a nova frota que a operadora aérea de bandeira promete usar.

O secretário de Estado justificou a utilização do Boeing 737 com a elevada procura, que ultrapassou a capacidade do Dash 8-400.

“É natural que nestes primeiros voos haja maior pressão por parte dos passageiros, mas com o tempo esta pressão vai diminuindo. Havendo uma boa evolução do contexto epidemiológico, poderá se aumentar as frequências e com isso atenuar essa pressão”, apontou, indicando que “os voos domésticos têm que ser baratos e acessíveis ao bolso e à capacidade do cidadão”.

Sobre a redução dos preços dos bilhetes para os voos domésticos, Carlos Borges afirmou que “a tendência é que possam baixar assim que a nova frota começar a operar de facto”.

“Com a introdução da frota de aviões Dash 8-400, no médio prazo iremos reduzir as tarifas. Este é um dos propósitos da renovação da frota, uma aeronave mais adequada ao tipo de serviços”, salientou.

A ligação aérea para outras províncias será retomada assim que as condições estiverem criadas, sendo que a cada mês será avaliado o processo do transporte, tendo sempre em atenção a melhoria na prestação de serviço nesta fase da COVID-19.

Voos internacionais

Quanto à retoma dos voos internacionais, o secretário de Estado sublinhou que as ligações que se iniciam no dia 21, poderão assegurar não só o repatriamento dos angolanos que estão no exterior, mas, também, os serviços das principais rotas internacionais onde estão profissionais que trabalham em Angola.

No reinício das ligações internacionais, o destaque recai para a rota Luanda/Lisboa/Luanda, com três voos semanais para a TAAG e igual número para a TAP.

Esta medida, segundo Carlos Borges, vai permitir que não haja a concentração de passageiros nos aeroportos e mitigar o risco de contágio.

Assegurou que outras companhias aéreas internacionais, como a Emirates, Air France e a Lufthansa poderão ter uma frequência semanal.

O secretário de Estado acrescentou que toda a planificação dos voos foi feita para que, no mínimo, haja uma diferença de três horas entre a chegada dos voos, para salvaguardar os distanciamentos necessários e possibilitar os passageiros a deixarem, de forma segura e eficiente, os aeroportos.

Esta medida, enfatizou, está combinada para assegurar as ligações com os aeroportos domésticos. Houve a preocupação de colocar as frequências nacionais em horários que permitam a ligação entre os voos domésticos e internacionais.

Melhorar a cabotagem

Apesar de ser ainda uma prioridade nesta fase da pandemia, o sector marítimo e portuário está a desenvolver uma estratégia para reactivar Secil Marítima.

No próximo mês chega a Luanda o ferry-boat que vai melhorar a cabotagem ao longo da costa, com realce para o percurso Luanda/Cabinda.

O secretário de Estado informou que três catamarãs vão complementar o ferry-boat que vai fazer a ligação Luanda/-Cabinda, bem como deverão operar no percurso Soyo/Cabinda, para que se possa aproximar a província de Cabinda do resto do País.