Estudo revela mudança comportamental dos angolanos face a COVID-19

Mudança na forma de ocupação do tempo, da actividade laboral e profissional, das práticas de consumo e relações sociais constitui os principais efeitos do confinamento social registado em Angola em consequência da COVID-19.

Luanda /
25 Jun 2020 / 12:55 H.

A revelação consta de uma pesquisa do Centro de Estudos Jurídicos, Económicos e Sociais (CEJES) da Universidade Agostinho Neto (UAN), que reúne dados preliminares de um questionário online realizado no âmbito do Projecto Efeitos Económicos e Sociais do Confinamento Social em Angola.

A pesquisa registou 1.211 respostas válidas, entre 20 de Abril e 4 de Maio de 2020, período da segunda fase do Estado de Emergência, que vigorou no país de ?27 de Março? a 25 de Maio do corrente ano.

Entre os que responderam ao questionário, 91 por cento afirmaram terem mudado a forma de ocupação do tempo, 87% a actividade laboral e profissional, 81% as práticas de consumo, 80% as relações familiares e sociais, enquanto as transformações no perfil da procura e nos meios de acesso à informação receberam o menor número de ocorrências (65%).

Os inquiridos, 46% mulheres e 56% homens, a faixa etária com 55 ou mais anos foi a menos representada na amostra (11%), maioritariamente constituída por pessoas com idades entre os 25 e 44 anos (59%), sobretudo indivíduos entre os 35 e 44 anos (34%).

A maioria dos entrevistados (71%) declarou ter graduação (licenciatura, 59%) ou pós-graduação (mestrado ou doutorado, 12%), enquanto 24% afirmaram frequentar o ensino superior.

Em relação ao estado civil, 41% são casados, 40% solteiros e 11% em uniões de facto, com a província de Luanda (87%) a dominar o local de residência dos entrevistados.

Grande parte (51%) professa a religião católica, 29% são protestantes e 15% assumiu não ter religião, indica ainda o estudo, da autoria de Carlos Lopes, docente do Instituto Superior Politécnico de Tecnologias e Ciências (ISPTEC), e José Van-Dúnem (UAN).

Benguela, Lunda Norte, Huambo e Huíla representam 8% da amostra e as outras províncias e a diáspora apenas 5%. Foram recebidas respostas com origem em 16 das 18 províncias angolanas, sendo que 79% dos entrevistados residem na área urbana, 18% na periurbana e apenas 3% na zona rural.