Ebola passa a ser uma doença curável em 90%

14 Ago 2019 / 11:35 H.

A medicina deu um passo à frente e agora é capaz de salvar 90% dos pacientes que são infectados pelo vírus Ébola, graças aos testes de dois anticorpos monoclonais, que acabaram por se mostrar muito eficientes não apenas no bloqueio do vírus, como também na eliminação completa. Esses testes vieram à tona durante o surto na República Democrática do Congo.

Depois de perceber a eficácia, os cientistas declararam que o Ébola passou a ser considerado curável. “A partir de agora, já não vamos dizer que o Ébola é incurável. Estes avanços ajudarão a salvar milhares de vidas”, declarou Jean-Jacques Muyembe, director-geral do Institut National de Recherche Biomédicale da República Democrática do Congo, citado pelo The Guardian.

Assim, os cientistas esperam que, agora que os índices estão muito mais favoráveis, a população dos países mais afectados pela doença passe a confiar mais no tratamento, já que uma das maiores causas da morte pela doença se deve não só à falta de informação como também ao próprio medo do tratamento.

Na época do surto, 70% dos pacientes que recorriam ao tratamento acabavam por morrer, o que levava ao medo. “Agora que 90% de seus pacientes podem ir ao centro de tratamento e sair completamente curados, vão começar a acreditar e construir confiança na população e na comunidade”, afirma Muyembe.

De acordo com o jornal norte-americano The Guardian, as unidades de tratamento do Ébola situadas na República Democrática do Congo já estão a utilizar os anticorpos monoclonais. Jeremy Farrar, co-presidente do grupo terapêutico da Organização Mundial da Saúde para o Ébola, anuncia: “Quanto mais aprendermos sobre esses dois tratamentos, e como podem complementar a resposta de saúde pública, incluindo rastreamento de contactos e vacinação, mais perto estaremos de transformar o Ébola de uma doença terrível em uma doença que pode ser prevenida e tratada. Nunca nos livraremos do Ébola, mas devemos ser capazes de impedir que esses surtos se transformem em grandes epidemias nacionais e regionais”, concluiu.

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