Relaxamento das medidas de prevenção na base do aumento de casos

Durante os primeiros 28 dias do mês de Abril, por exemplo, foram notificados duas vezes mais casos do que os meses de Janeiro a Março, afirmou Jeremas Agostinho. Além do relaxamento, o especialistas em saúde pública adiciona também a incredulidade por parte da população da existência da doença, que, no seu ponto de vista produziram um aumento previsível do número de casos positivos.

Luanda /
04 Mai 2021 / 12:16 H.

O anúncio, pela ministra da Saúde, Sílvia Lutukuta, da existência da segunda vaga da COVID-19 em Angola não constitui surpresa alguma, uma vez que o País vinha registando nos últimos meses um aumento exponencial de casos positivos, bem como do número de óbitos.

O especialistas em saúde pública, Jeremias Agostinho lembrou ao Vanguarda que durante os primeiros 28 dias do mês de Abril, por exemplo, foram notificados duas vezes mais casos do que os meses de Janeiro a Março, ao contrário do período compreendido entre os meses de Dezembro do ano passado a Março deste ano, na qual verificou-se uma redução contínua do número de casos positivos e óbitos.

Esta redução, segundo explica o médico, foi acompanhada de um abrandamento, por parte da população, das medidas de protecção contra a COVID-19 constantes no decreto que regula a situação de calamidade pública no País.

Ao mesmo tempo permitiu-se o retorno do ensino primário e pré-escolar, o estabelecimento de 10% de espectadores nos recintos desportivos e o aumento da força de trabalho para 100%. De acordo com Jeremias Agostinho, estas medidas, que foram tomadas para o relançamento da economia e permitir o retorno às aulas dos petizes, foram responsáveis pelo aumento da transmissão da doença por terem gerado ajuntamentos.

Além do relaxamento, cita, adicionase também a incredulidade por parte da população da existência da doença, que, no seu ponto de vista produziram um aumento previsível do número de casos positivos.

Esta semana o País reforçou e apertou ainda mais as medidas de prevenção no âmbito do combate à pandemiacausada pelo vírus SARS-CoV 2. Sobre um provável retorno ao Estado de Emergência, Jeremias Agostinho descartou, por enquanto, a hipótese argumentando ser prematuro. “A declaração de Estado de Emergência deve levar em conta não só o número de casos novos em geral, mas passa também principalmente pela análise e impacto da mortalidade por COVID-19, além do número de internamentos.

Nota que neste momento regista-se, fundamentalmente em Luanda, um aumento no número de casos positivos, mas a mortalidade e o número de óbitos não sofrem alterações significativas. Como explica, os danos económicos e sociais de uma eventual declaração de Estado de Emergência, no caso, pode agravar ainda mais a situação económica e social da população.

Vacinação vs mortes

Sobre as mortes de cidadãos que apanharam a primeira dose da vacina, o especialista enfatiza que as actuais vacinas disponíveis possuem eficácia inferior a 95% e para se atingir a eficiência máxima devem ser administradas deu-as doses do imunizante, com excepção da vacina da Johnson e Johnson, que necessita de apenas uma dose, mas que não está disponível no País.

“Quando se administra a primeira dose, duas a três semanas depois, o indivíduo atinge cerca de 40% de imunidade, sendo necessário a segunda dose para se atingir a imunidade de 90%”, disse, lembrando que enquanto não se atinge elevadas percentagens de imunidade, o indivíduo mantém-se susceptível a infecção. Neste caso, completa, se o indivíduo se infectar as probabilidades de morte aumentam significativamente e o risco de morte mantém-se, principalmente em maiores de 40 anos com comorbilidades.

À pergunta se o País e as unidades hospitalares estão preparados para lidar com as novas variantes da COVID -19, Jeremias Agostinho respondeu que sim. “Neste momento o País possui cerca de 4 000 leitos exclusivos para casos de COVID 19, sendo que menos de 200 estão ocupados, com uma taxa de ocupação inferior a 10%”, disse adiantando que ainda assim, torna-se necessário evitar-se uma maior ocupação das camas, já que não se pode atingir a situação de esgotamento de leitos e profissionais.

’Defende, por isso, que a atenção dispensada à COVID-19, deveria ser a ideal para todas as patologias epidémicas no País.