Recursos financeiros, humanos e tecnológicos apontados como desafios para o combate à desertificação

Em Angola, devido à baixa pluviosidade, as situações de seca severa foram observadas, desde a década de 90, em províncias mais ao sul, nomeadamente, no Cunene, Huíla, Kuando Kubango e também no Namibe, onde se encontra o deserto mais antigo do mundo.

09 Mai 2022 / 17:49 H.

O principal desafio reconhecido para a implementação da convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação está relacionado com a disponibilização de recursos financeiros, humanos e tecnológicos, afirmou o ministro da Cultura, Turismo e Ambiente, Filipe Zau, durante a 15ª Sessão da Conferência das Partes (COP 15), em Abidjan.

De acordo com Filipe Zau, que encontra-se em Abidjan, Costa do Marfim, em representação do Presidente da República, João Lourenço, a relevância da questão da seca nos países africanos tem sido minimizada, já que a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação, tem tido dificuldades de adoptar políticas concretas direccionadas especificamente para aquele fenómeno, contrariamente ao combate à desertificação e inversão da degradação da terra.

“Em Angola, devido à baixa pluviosidade, as situações de seca severa foram observadas, desde a década de 90, em províncias mais a sul, nomeadamente, no Cunene, Huíla, Kuando Kubango e também no Namibe, onde se encontra o deserto mais antigo do mundo”, disse.

Avançou, igualmente, que entre 2012/2013 e 2019, houve uma primeira época de fraca pluviosidade, mas foi insuficiente para viabilizar alguma recuperação. Porém, a difícil situação da seca voltou a incidir e a estender-se para o norte, na província de Benguela.

“De considerar que a temporada mais seca dos últimos 35 anos veio a registar-se entre os anos de 2015 e 2016, devido aos efeitos do fenómeno “El Niño, que afectou áreas ao sul do continente, como também províncias do Sul de Angola, caracterizadas como zona agroecológica árida e semiáridas de florestas, savanas e pelo deserto do Namibe”, afirmou o titular da pasta.

Sobre os danos, Filipe Zau apontou os económicos e sociais que estimam-se em milhões de dólares, que dificultam a vida de comunidades agrícolas e pastoris, estas em contexto de transumância. Perdem o gado, aumenta a fome e pobreza e as crianças deixam de frequentar a escola.

“Tornou-se então necessário criar resiliência climática e angariar fundos para a gestão dos impactos provocados pela seca”, afirmou.

Segundo o governante, o País mostra satisfação pelo facto de, em 2017, a COP 13, em Ordos, na China ter integrado, com sucesso, a seca no Quadro Estratégico da Convenção e de, em 2019, na COP 14, na Índia, as Partes terem considerado a necessidade de haver um forte compromisso político e acções de advocacia na luta contra os efeitos da seca.