País vai gastar 263 milhões USD em vacinas

A meta que consiste em cobrir nesta primeira etapa apenas 20% da população pode ficar comprometida devido às dificuldades de acesso à vacina, face à elevada concorrência global pelos imunizantes autorizados para uso.

Luanda /
11 Fev 2021 / 08:47 H.

O País prevê gastar cerca de 262,9 milhões USD para aquisição de vacinas para a imunização de toda a população angolana, segundo o Plano Nacional de Vacinação Contra a COVID-19 que o Vanguarda teve acesso. A estratégia do Governo visa reduzir a mortalidade e a morbilidade e tem ainda como objectivo contribuir para o bem-estar da população e a retoma das actividades económicas e sociais do País.

Segundo o documento, está previsto vacinar contra a COVID-19, na primeira fase, 95% das pessoas com idade igual ou superior a 40 anos, num total de 6,4 milhões de habitantes. O plano abrange ainda pessoas com elevado risco de exposição e autoridades em função executiva que correspondem a 20% da população projectada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) para Junho de 2021.

A previsão é ainda vacinar 100% dos profissionais de saúde de serviços públicos e privados, no sentido de preservar o funcionamento contínuo dos serviços de saúde, vacinar 100% do pessoal e usuários de serviços sociais básicos, incluindo lares de idosos, orfanatos, locais de assistência a pessoas incapacitadas, cadeias e professores entre outros.

A meta, de acordo com o Plano Nacional de Vacinação Contra a COVID-19 inclui a identificação e vacinação deforma gradual de pessoas com comorbilidades de risco através de serviços clínicos regulares específicos estabelecidos em 100% dos municípios e distritos do País.

O plano de vacinação tende igualmente a vacinar 100% dos funcionários aeroportuários e de fronteiras, vacinar 100% dos agentes das forças da ordem e de segurança pública, vacinar 100% das autoridades executivas do Governo e instituições críticas para preservar a governabilidade e as acções estratégicas do Governo.

Serão vacinados 95% da população de idade igual ou superior a 40 anos de idade, num curto período, de forma a criar impacto na redução de casos severos (mortalidade e ocupação hospitalar).

Iniciativa COVAX

Ainda nesta primeira etapa serão utilizados 12,8 milhões de doses do imunizantes a serem fornecidas pela COVAXFacility, que pretende facultar o acesso a vacinas contra a COVID-19 sem custos para 20% da população, que apresenta maiores riscos, residentes em países de média-baixa e de baixa renda.

A COVAXFacility vai igualmente facilitar a compra de vacinas por estes países, para cobrir outros grupos etários, sendo uma oportunidade ímpar para Angola proteger a sua população da COVID-19.

Entretanto, o documento realça que caso a vacina esteja disponível como perspectivado, esta fase (a primeira) estará concluída no primeiro semestre de 2021. O custo total desta etapa está estimado em 105,2 milhões USD.

Entretanto, a meta que consiste em cobrir nesta primeira etapa apenas 20% da população pode ficar comprometida devido às dificuldades de acesso à vacina, face à elevada concorrência global pelos imunizantes autorizados para uso.

Já na segunda fase prevê-se vacinar 95% da população da faixa etária entre os 16 e 39 anos de idade correspondente a 10,4 milhões de habitantes. Ou seja, 32% da população angolana.

Vão ainda ser vacinados 100% de vendedores de mercados formais e informais, motoristas de viaturas de serviços públicos e vacinar a mesma percentagem de moto taxistas. Ainda na segunda etapa do plano de vacinação pretende-se imunizar pessoas com idades compreendidas entre os 16 e 39 anos mediante campanhas massivas, abrangendo 10,4 milhões de habitantes, correspondendo a 32% da população.

O propósito de estender a vacinação a este grupo de idade tem como objectivo, de acordo com Plano Nacional de Vacinação Contra a COVID-19, reduzir a transmissão da COVID-19, dado que este subgrupo populacional não apresenta alta taxa de mortalidade, mas tem a maior taxa de incidência da doença.

Assim sendo, pretende-se que 20,7 milhões de doses da vacina sejam adquiridas através do financiamento do Banco Mundial (86,2%) e do Banco Europeu de Investimento (13,8%). Esta aquisição será feita através do mecanismo COVAXFacility/UNICEF, de modo a ter acesso a preços subvencionados de 7.00 USD por dose, cuja etapa seria realizada no segundo semestre de 2021.

O custo total desta fase está estimado em 157,7 milhões USD. Os custos operacionais serão cobertos através do Orçamento Geral do Estado, do Banco Mundial e de outros parceiros.

Refira-se ainda que a vacinação contra a COVID-19 da população menor de 16 anos de idade não foi priorizada por não ter sido recomendada pela OMS pela insuficiente evidência científica, relativamente à efectividade e segurança da vacina em menores de 16 anos, pelo que no País também esse grupo será poupado.

A justificação é que este grupo etário tem sido o menos afectado pela doença e uma vez que os estudos prosseguem, no futuro as condições podem mudar e é possível que se venha incluir este grupo na vacinação. O plano observa ainda que a vacinação não está recomendada a mulheres grávidas.

Entretanto, a viabilidade do plano é a grande questão.

Alguns especialistas ouvidos pelo Vanguarda duvidaram da capacidade do Governo de materializar e cumprir com as metas preconizadas devido a diferentes factores, entre eles o financeiro e a disponibilização da própria vacina.

Segundo projecções do The Economist, a maioria do continente africano, a Bolívia, Paraguai, Paquistão, Afeganistão, Indonésia e mais alguns asiáticos têm previsto alcançar a imunização da população apenas no início de 2023.

Mas para já, em finais do corrente ano, citando a inda a publicação, será alcançada a cobertura da vacinação dos Estados Unidos da América e da Europa.

O veículo indica que países como a Rússia, México, Canadá, África do Sul, Austrália, Arábia Saudita, Turquia, Brasil, Peru e Chile poderão alcançar a cobertura em termos de vacinação em meados de 2002.

Já para finais de 2022 alguns países africanos, nomeadamente o Quénia, a Etiópia, Egipto e Marrocos poderão cobrir as suas populações no que concerne à vacinação.

O mesmo deve acontecer com a China, índia, Colômbia Equador, na América do Sul, além do Irão e o Iraque.