Nova lei seca do álcool ameaça economia local

“A lei do álcool que entra em vigor, para além da sua importância, não é mais do que um

14 Out 2019 / 15:05 H.

A lei do álcool que entra em vigor, para além da sua importância, não é mais do que um instrumento nessa luta que estamos a travar contra o uso abusivo do álcool” informa o Ministro da Saúde Arlindo do Rosário.

Muitos comerciantes receiam perder grande parte dos seus negócios e temem o aumento do desemprego, com a nova lei do álcool, muita contestada, que entra este sábado em vigor em Cabo Verde.

Marisa Tavares Gonçalves, moradora em Achada Mato, gere, juntamente com a irmã, um quiosque no Sucupira, o maior mercado a céu aberto de Cabo Verde, situado na Fazenda, cidade da Praia.

O negócio começou há pouco mais de um ano e corre de vento em popa, com a venda de almoços, bebidas alcoólicas, sumos, água, entre outros produtos.

Mas a partir deste sábado tudo poderá mudar, com a entrada em vigor da nova lei do álcool, que proíbe, por exemplo, a venda de bebidas alcoólicas em quiosques, barracas e cantinas.

Em declarações à agência Lusa, Marisa Gonçalves recordou que já recebeu uma visita da Inspeção Geral das Atividades Económicas (IGAE), que informou que as bebidas devem ser retiradas. “Vinho, cerveja, aguardente, tudo isso vai ser proibido. Podemos ficar apenas com sumo e água”, lamentou, dizendo que já não vai poder vender “nem um vinho para acompanhar o almoço”.

“Para não prejudicar muito, pelo menos deveriam proibir apenas aguardente, e deixar vinho e cerveja, para acompanhar o almoço”, sugeriu Marisa, garantindo que se o negócio não render,

o único remédio vai ser fechar as portas.

A proprietária pede igualmente mais união entre os colegas, para contestar a nova lei, que disse protege os minimercados, que vão continuar a vender tudo, enquanto os quiosques não.

Uns metros mais à frente, Adilson Ferreira trabalha numa “roulotte”, que presta o mesmo serviço de venda de almoços no local que é muito frequentado sobretudo por condutores e “hiaces”, as carrinhas de transporte de passageiros para os vários concelhos do interior da ilha de Santiago.

Em declarações à Lusa, disse que há alguns pontos que discorda, mas também outros que concorda na nova lei, nomeadamente a proibição de venda de bebidas alcoólicas a menores de 18 anos, o consumo na via pública e nos locais de trabalho públicos e do setor privado.