Mais de mil hectares livres de minas

O Estado angolano, com fundos, próprios assumiu a liderança do processo de desminagem ao direccionar em função da estratégia grande parte dos esforços para as áreas de reconstrução nacional e desenvolvimento, pelo que mantém a preocupação do cumprimento dos compromissos internacionais, sobretudo, do artigo 5º da Convenção de Ottawa, que visa a limpeza dessas zonas.

Luanda /
10 Jan 2022 / 10:40 H.

Pelo menos 1,2 hectares, correspondentes a 67 quilómetros de vias rodoviárias, 28 km de conduta de água, 96 km de linha de transporte de energia eléctrica de média tensão, áreas agrícolas, subestações eléctricas e áreas de desenvolvimento turístico, foram verificados e desminados, no ano transacto, em Angola.

De acordo com Loneque Diu, director-geral adjunto do Instituto Nacional de Desminagem (INAD), nos últimos 12 meses foram, igualmente, removidos e destruídos 382 minas anti-pessoal, 39 anti-tanque, 7,9 engenhos explosivos não detonados e 38,2 munições de pequeno calibre.

Lamentou, por outro lado, o registo de 41 acidentes que causaram 97 vítimas, das quais 68 feridos, 3 ilesos e 26 mortos. Referiu que foram sensibilizados sobre o risco de minas 101,2 populares, sendo 26 meninas, 22,9 rapazes, 29,6 mulheres e 22,6 homens.

Loneque Diu acrescentou que durante 2021 as brigadas de desminagem do INAD realizaram várias acções, entre as quais destacou a formação técnica especializada, campanhas de educação sobre o risco de minas, pesquisa não técnica e técnica de áreas suspeitas ou minadas, remoção e destruição de minas e outros engenhos explosivos não detonados, acções pontuais, bem como o registo de acidentes com engenhos explosivos, envolvendo populares.

O Estado angolano, com fundos, próprios assumiu a liderança do processo de desminagem ao direccionar em função da estratégia grande parte dos esforços para as áreas de reconstrução nacional e desenvolvimento, pelo que mantém a preocupação do cumprimento dos compromissos internacionais, sobretudo, do artigo 5º da Convenção de Ottawa, que visa a limpeza dessas zonas.

“O maior desejo do Governo de Angola é de ver todo o território livre de minas e de outros engenhos explosivos. Por isso, operadores públicos, empresas de desminagem e Organizações Não-Governamentais têm se engajado no alcance deste objectivo. Nos últimos anos surgiram situações que afectaram, negativamente, o processo de desminagem, o que, neste momento, exige da parte dos operadores e entidades reguladoras do sector uma reavaliação da capacidade humana e técnica disponível para o efeito”, realçou o director-geral adjunto do INAD.