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Justiniano nasceu em Tauresium, pequena cidade da Macedônia no ano de 483. Filho de camponeses foi baptizado Petrus Sabatus. Era sobrinho de Justino, soldado que se destacou nas lutas contra os bárbaros.

16 Jan 2020 / 10:03 H.

Justiniano (483-565) foi um imperador Bizantino, redator do “Código Justiniano”, do “Digesto”, das “Institutas” e as “Novelas”, que constituíram o “Direito Romano”, leis que asseguravam ao povo romano o domínio do mundo. Governou entre 527 e 565. Justino chegou a ser comandante do palácio do imperador bizantino Anastácio I. Quando Anastácio morreu, sem deixar herdeiro directo, Justino foi escolhido para sucedê-lo.

Em 502, Justino que não tinha filhos, manda buscar o sobrinho em Tauresium e preparo-o para herdar o poder. Petrus Sabatus recebeu o aristocrático nome de Flavius Justiniano.

Em 521, Justiniano foi nomeado cônsul e encarregado da organização dos jogos públicos, que lhe garante o apoio da plebe de Constantinopla. Em 525, é designado herdeiro do trono e casa-se com Teodora, bailarina e filha de um domador de circo.

As leis o proibiam de casar com mulheres de origem servil, mas Justiniano consegue, para ela, o título de patrícia, o que a levou a frequentar os mais fechados círculos da sociedade bizantina.

Em 527, Justiniano é nomeado Augusto e, com a morte do tio, é coroado Imperador Justiniano I. Teodora torna-se Imperatriz e exerce decisiva influência sobre a administração do Império, determinando muitas das decisões tomadas por Justiniano.

Justiniano I fixou como principal objetivo restaurar a unidade do Império Romano. Empreendeu diversas guerras de conquista. Primeiro assegurou a paz com os persas, tradicionais inimigos, e conteve o avanço búlgaro nos Balcãs. Depois iniciou guerras de conquista reconquistando grande parte do Império Romano do Ocidente, incluindo a própria cidade de Roma.

Seis meses após assumir o império, Justiniano iniciou sua carreira de legislador. Uma comissão de 10 juristas foi encarregue de compor o “Novo Código Justiniano”, uma revisão e sistematização das leis imperiais, depois chamadas de “Corpus Juris Civilis” (Código do Direito Civil), promulgado em 529, que depois serviu de base para os códigos civis de diversas nações.

O Código Justiniano era composto das constituições imperiais, da compi- lação das leis romanas (chamadas Digesto ou Pandectas), de um resumo para os estudantes de direito (chamado Institutas) e de novas leis para solucionar controvérsias jurídicas (chamadas Novellae ou Autênticas).

Religião

Influenciado pelos pensamentos religiosos de seu tempo, Justiniano procurou usar a religião para unir o mundo oriental e ocidental. Naquela época a Igreja do Ocidente e a do Oriente tinham profundas divergências, principalmente quanto à crença na natureza de Cristo. Como desejava uma igreja unificada para servir de apoio ao seu governo, Justiniano interveio diversas vezes nas questões religiosas. Para manter o apoio do papa, procurou conciliar os ideais monofisistas com a ortodoxia defendida pela Igreja.

Sem sucesso, acabou por colocar sob sua influência o próprio Papa e a Igreja do Ocidente, que passou a ter então traços característicos da Igreja do Oriente. Entre 532 e 537, é construída a Igreja de Santa Sofia, a mais impor- tante obra da arquitetura religiosa bizantina. (Quando os turcos tomaram Constantinopla, em 1453, foram acrescidas a ela as quatro torres que caracterizam os templos islâmicos).

A administração de Justiniano dependia dos impiedosos funcionários fiscais, que recolhiam elevados impostos. Em 532, explode a revolta de Nika, foram cinco dias de desordem e luta em que o fogo devorava quarteirões. O povo quer entregar o trono a um dos sobrinhos de Anastácio. Justiniano estava prestes a fugir, mas Teodora interveio. O imperador não deveria abandonar o seu posto. A luta terminou com a derrota dos revoltosos. Os dois sobrinhos de Anastácio foram jogados ao mar.

O império estava unificado, mas as revoltas foram surgindo, as lutas no norte da África duraram oito anos, as cidades estavam arrasadas. Terremotos e uma grande peste tornou caótica a situação econômica do império. A

obra de reunificação Ocidente e Oriente estava sendo ameaçada. Em 548 morre Teodora, que influenciou decisivamente em algumas questões políticas e religiosas. O descontentamento se alastrava por todos os setores da sociedade bizantina. A concentração da riqueza estava nas mãos dos grandes proprietários agrícolas. O povo estava insatisfeito com os altos impostos e a rigidez do sistema governamental. Justiniano faleceu no dia 14 de Novembro de 565 sem deixar herdeiros, em Constantinopla, atual Istambul (Turquia). Constantinopla recebeu a notícia com grande alegria.