Ícone...Edwin Hubble

Quatro séculos depois de Nicolau Copérnico ter colocado o sol, e não a Terra, no centro do sistema solar, dando início a uma revolução científica que alargou a nossa visão do cosmos, outro astrónomo voltou a virar do avesso o entendimento do espaço sideral ao descobrir que o universo ia imensamente além da Via Láctea.

15 Jan 2020 / 11:28 H.

Mais: Edwin Hubble, assim se chamava o astrónomo, percebeu que o universo estava em plena expansão e o limite era o infinito. “A descoberta de que o universo está a expandir-se foi uma das grandes revoluções intelectuais do século XX”, escreveu Stephen Hawking em “Uma Breve História do Tempo”, prestando a devida homenagem a um cientista que nunca recebeu o Prémio Nobel mas cujo nome seria imortalizado no telescópio espacial lançado em órbita em 1990 e que ainda hoje continua a alargar o conhecimento humano do cosmos, para que os astrónomos possam manter “a esperança de encontrar o que não se está à espera”, como Edwin Hubble disse em 1948, cinco anos antes de morrer. No dia 26 Abril de 1920, dois anos depois do final da I Guerra Mundial, as maiores mentes da astronomia reuniram-se no Museu Nacional dos Estados Unidos (hoje o Smithsonian) para discutir o que, nos círculos académicos de então, ficou conhecido como o Grande Debate: qual o tamanho do universo? Presentes estavam as mais respeitadas figuras da astronomia, como Harlow Shapley e Heber Curtis, que apresentaram as suas teorias, mal sabendo que o seu trabalho estava prestes a ser eclipsado por um jovem cientista que viria, justamente, a ser conhecido como o maior astrónomo desde Galileu Galilei.

Três anos antes do magno encontro científico, Edwin Hubble, nascido no Missouri em 1889, era ainda um jovem astrónomo em pleno trabalho de doutoramento quando foi convidado para trabalhar no Observatório de Mount Wilson, em Pasadena, na Califórnia. “Lamento não poder aceitar o convite. Vou para a guerra”, foi a resposta, por telégrafo, de Hubble, que só regressaria aos Estados Unidos em 1919 para, finalmente, começar a trabalhar em Mount Wilson, onde se apresentou, ainda fardado, como o major Hubble. Pode dizer-se que o universo estava do lado de Edwin Hubble. Era em Mount Wilson que estava instalado o que era então o mais poderoso telescópio da Terra, o Hooker Telescope, e Hubble deu-lhe bom uso. Foi graças ao Hooker que Harlow Shapley conseguiu calcular que a Via Láctea estendia-se por 300 mil anos-luz, dez vezes mais do que o valor previamente aceite. No entanto, Shapley, como quase todos os astrónomos à altura, ainda pensavam que o universo consistia apenas na Via Láctea e que as nebulosas observáveis eram apenas manchas de gás e poeira. Foram precisas muitas noites de observação no Hooker para Hubble provar que Shapley e os outros astrónomos estavam bastante longe da verdade. Em Outubro de 1923, Hubble descobriu uma Cefeida (uma estrela gigante amarela, 4 a 15 vezes mais massiva do que o sol) na “nebulosa” M31 que, calculou, só podia estar a um milhão de anos-luz da Terra, muito para além da Via Láctea. A M31 possuía, aliás, milhões de estrelas, fazendo dela não uma mera nebulosa mas uma galáxia como a nossa Via Láctea, que hoje conhecemos como Andrómeda. Edwin Hubble acabara de expandir dramaticamente o universo! A descoberta, relatada pelo New York Times a 23 de Novembro de 1924, foi de grande importância para a astronomia mas o grande momento de Edwin Hubble estava ainda por chegar. O astrónomo começou a classificar todas as nebulosas conhecidas e a medir as suas velocidades a partir do espectro da luz emitida. Em 1929, fez outra descoberta surpreendente: todas as galáxias pareciam estar a afastar-se de nós a velocidades que aumentavam proporcionalmente à distância em relação à Terra, um avanço científico – que o universo está a expandir-se - que acabaria por ficar conhecida como a Lei de Hubble.

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