Há guerra de audiências em Angola. E a TV Zimbo está a ganhar

Estudo da MIRA, feito em quatro províncias no primeiro semestre, coloca Zimbo na liderança, e TPA e Zap Viva em segundo. Música, novelas e desporto são os conteúdos preferidos e conteúdos locais uma oportunidade.

Angola /
20 Set 2019 / 15:55 H.

Música, novelas e desporto são, por esta ordem, os conteúdos televisivos mais vistos pelos angolanos com 15 ou mais anos de idade, revela um inquérito levado a cabo pela empresa de estudos de mercado MIRA. O inquérito, referente ao primeiro semestre deste ano, aponta a Zimbo como o canal mais visto, num país onde 93% das pessoas, segundo a amostra, declaram que costumam assistir a TV.

O estudo - MIRA TV 2019 - Audiências I Semestre -, a que o Vanguarda teve acesso em exclusivo -, realizado em Maio, baseou-se em 4.548 entrevistas telefónicas em Luanda, Benguela, Huambo e Huíla. E mostra que a TV é claramente uma das melhores ‘companhias’ dos angolanos - sendo a falta de energia uma das razões para não terem assistido na véspera do inquérito.

Quanto aos conteúdos, a música é que mais gostam (75%), seguida das novelas (66%) e desporto (61%). No período em análise, a Zimbo estava na liderança, confortável, com a TPA1 e o Zap Viva a partilharem ex-aequo a segunda posição.

O estudo mostra haver uma concorrência acesa entre o Fala Angola, de Salú Gonçalves, e o Vivà Tarde, de Marcio Stelvio e Carla Djamila. Estão separados apenas por um ponto percentual, mas distanciados do terceiro programa favorito, que é A Tarde é Nossa.

O homem para quem “ou é, ou não é”, da Zimbo, e Ernesto Bartolomeu, o ‘histórico’ do Telejornal da TPA1, partilham o podium dos apresentadores preferidos da amostra do estudo, seleccionada com base nos resultados do Censo 2014 e representantiva de 7.335.526 indivíduos, no caso, 54% da população angolana com 15 ou mais anos de idade.

Filipa Oliveira, Senior Partner da MIRA - cujo estudo de TV, feito desde 2017, está na 5.ª vaga, sendo a próxima referente ao 2.º semestre de 2019 -, destaca que “os resultados [do inquérito] evidenciam a importância da TV no País, assim como a “importância dada aos conteúdos locais”, o que constitui “uma oportunidade que já está a ser explorada por alguns canais”.

“A produção local é uma oportunidade para os profissionais angolanos do sector - jornalistas, apresentadores, realizadores - fazerem a diferença, produzindo conteúdos atractivos e abordando temas construtivos, inspiradores e motivadores”, assinala a gestora.

Quanto à chamada de guerra da audiências, já chegou a Angola e veio para ficar. “A guerra de audiências existe em todos os países. As estações têm como objectivo captar o maior número de telespectadores possível. É um sector muito dinâmico e implica uma aposta diária dos profissionais de televisão”, afirma.

Esta ‘guerra’ pela liderança obriga os canais a “inovar e evoluir, o que implica investimento, algo que não é fácil numa fase em que o mercado está em recessão”, assinala. “É necessário bastante empenho e criatividade”, reforça, adiantando que “outro desafio, que nem sempre é fácil conciliar com a necessidade de ter maior audiência, é o de apresentar conteúdos que contribuam de forma positiva para o desenvolvimento educativo, cívico e cultural da população”.

O inquérito inclui ainda questões sobre os cantores favoritos dos angolanos - e Matias Damásio é, de longe, o mais apreciado. Anselmo Ralph e Yola Semedo dividem o segundo lugar, e Pérola e Gerilson Insrael estão no final, separados apenas por um ponto percentual.

Em Angola, conclui Filipa Oliveira, há “uma grande ligação da população à televisão, quer como opção de entretenimento quer como fonte de informação”. Por enquanto, “plataformas como o Netflix e outras similares ainda não fazem grande concorrência à televisão”. Ainda. Mas mais tarde ou mais cedo, como em todos os países, vão acabar por fazer.