Estudo diz que testagem e rastreio são essenciais para o retorno

A revista The Lancet Child & Adolescent Health publicou, esta semana, dois estudos sobre a transmissão do novo coronavírus em ambiente escolar, apontando ambas para a importância de medidas de controlo epidemiológico.

Luanda /
07 Ago 2020 / 10:30 H.

Uma das investigações, um estudo de modelagem realizado pelo Colégio Universitário de Londres e a Escola de Higiene e Medicina Tropical, sugere que a reabertura das escolas no Reino Unido deve ser acompanhada de uma estratégia ampla de testagem, rastreio e isolamento, de forma a evitar uma segunda vaga da pandemia.

Neste estudo, os investigadores desenharam seis cenários para o arranque do próximo ano, incluindo situações de ensino presencial e misto e diferentes níveis de testagem, estimando o número de novas infecções e o índice de transmissão para cada cenário.

Segundo os resultados, se entre 59% e 87% das pessoas sintomáticas forem testadas e se houver um rastreio de contactos e medidas de isolamento eficazes, o Reino Unido consegue evitar uma eventual segunda vaga, mesmo reabrindo as escolas.

No entanto, se este reforço não acontecer, os investigadores estimam um novo pico da curva epidemiológica já em Dezembro, se todos os alunos regressarem simultaneamente às aulas presenciais, ou em Fevereiro de 2021, num cenário de regime misto.

“O nosso modelo analisou os efeitos da reabertura das escolas a par de um aliviar das restrições em toda a sociedade”, ressalvou uma das principais autoras do estudo, Jasmina Panovska-Griffiths, do Colégio Universitário de Londres.

Segundo a investigadora, os resultados reflectem, por isso, um desconfinamento mais amplo e não os efeitos da transmissão apenas no espaço escolar, sugerindo que uma estratégia eficaz oferece uma alternativa viável ao confinamento intermitente e ao encerramento de escolas para controlar a propagação da pandemia.

Por outro lado, o investigador da Escola de Higiene e Medicina Tropical Chris Bonell considera que, da interpretação destes dados, não deve resultar um receio acrescido em relação à retoma do ensino presencial.

“Os nossos resultados são os dados mais abrangentes que temos até agora sobre a transmissão do SARS-CoV-2 nas escolas e nos estabelecimentos de educação infantil”, refere uma das investigadoras, Kristine Macartney, da Universidade de Sydney.

A autora ressalva, no entanto, que é importante olhar para os dados tendo em consideração o contexto concreto de Nova Gales do Sul, admitindo a possibilidade de índices de transmissão mais altos noutras zonas e noutros países.

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