Especialista diz que pulverização aos gafanhotos constitui risco

Com as chuvas a caírem de forma regular esses gafanhotos irão se multiplicar a uma velocidade natural e se pode esperar ainda nuvens de gafanhotos muito grandes.

Luanda /
21 Abr 2021 / 09:16 H.

A pulverização, em grande escala, para o combate à praga de gafanhotos, no Cunene, pode causar o envenenamento de plantas e aves devido a quantidade de insecticidas utilizada para o efeito, disse ao Vanguarda o ambientalista Vladimir Russo.

De acordo com o especialista, do ponto de vista ambiental, a pulverização acaba por não ter impactos positivos, uma vez que existe uma série de animais que se alimentam de gafanhotos como exemplo as aves e répteis que aproveitam essa abundância para a sua alimentação.

O outro problema, refere, tem que ver com o insecticidas atacar as culturas antrópicas desenvolvidas pelo homem e em alguns casos as culturas naturais e arbustos que são ainda, na maior parte dos casos, mais evidentes nas culturas de milho e nas plantações de batata.

Em termos de efeitos para as culturas, Vladimir Russo esclarece que são bastante nocivos, por os gafanhotos serem animais que estão em crescimento e com fome, acabando por estragar as culturas.

Explica que para se ter noção, uma nuvem de gafanhotos normal pode afectar a alimentação de pelo menos 2 500 pessoas.

“A praga é um assunto preocupante, porque leva normalmente a destruição das culturas, levando a diminuição da alimentação e também dos valores nutricionais das plantas”, disse adiantando que algumas pessoas deixam de comer determinados alimentos devido a escassez e pode associar-se a essa questão a fome no País.

Segundo o ambientalista, a origem desta praga se deve ao período de estiagem associado às chuvas repentinas, que foi o que aconteceu no Cunene. “Isto propiciou o surgimento desta praga de gafanhotos”, completou.

Frisa que com as chuvas a caírem de forma regular, esses gafanhotos irão se multiplicar numa velocidade natural pode-se esperar ainda nuvens de gafanhotos muito grandes” disse.

Entretanto, informações divulgadas, há dias pela Angop, dão conta de 9 378 unidades de insecticidas, pulverizadores e equipamentos de protecção chegaram à cidade de Ondjiva para o controlo e combate à praga de gafanhotos que assola a província do Cunene.

Trata-se de 3 860 caixas de insecticida do tipo adressway, 2 200 delolotrina, 1 054 do tipo primavera, 786 pirifway, 700 caixas de ciperway, 500 de delta, 100 pulverizadores, 92 uniformes de protecção individual e 86 botas, enviados pelo Ministério da Agricultura e Pescas.

Desespero e destruição

Os gafanhotos que assolam desde a última sexta-feira ,09, a província do Cunene, já destruíram 1 221 hectares de campos cultivados, correspondendo a 407 lavras nos municípios de Namacunde, Cuanhama e Ombadja.

Em declarações à agência noticiosa, o director do gabinete da Agricultura e Pesca no Cunene, Pedro Tibério, disse que por se tratar de um processo emergente, com a disponibilidade dos meios seguese a formação e treinamento das equipas.

Segundo o responsável, é necessário trabalhar na capacitação dos agentes que irão actuar nos municípios e comunas, a fim de garantir o manejo seguro dos insecticidas e dos equipamentos.

Com isso, disse que o processo de pulverização arranca no princípio da próxima semana, uma vez que a praga está a comprometer a colheita de massango, massambala e milho.

Pedro Tibério enfatizou que actualmente a vaga de gafanhotos, que faz o percurso de dois a três quilómetros da fronteira com a Namíbia, encontra-se localizado na área de Epalela (Angola) e poderá atingir a cintura verde de Calueque.

O fenómeno, que atinge cinco países da região Austral de África, surge devido às alterações climáticas que estão a influenciar a reprodução dos gafanhotos de forma massiva, afectando, desta feita, os campos agrícolas e pastos.

Em Angola, no princípio, estava restringida apenas à província do Cuando Cubango, concretamente, nos municípios do Dirico, Rivungo, Calai, Cuangar e Mavinga, tendo expandido a província do Cunene.

Para conter a vaga de gafanhotos, o Executivo angolano criou uma comissão multissectorial coordenada pelos ministros de Estado e Chefe da Casa de Segurança do Presidente da República, Pedro Sebastião e para a Área Social, Carolina Cerqueira.

Integram também o grupo, os ministros do Interior, Administração do Território, Agricultura e Pescas, Cultura, Turismo e Ambiente e as Forças Armadas Angolanas (FAA).