Especialista alerta sobre os riscos da queima do lixo nesta fase da pandemia

Os problemas podem ser do foro respiratório e afectar também a qualidade do ambiente nesta fase da pandemia da COVID-19.

Luanda /
24 Fev 2021 / 12:09 H.

Aqueima de lixo na cidade de Luanda pode causar graves problemas de saúde pública devido à libertação de toxinas dos resíduos compostos por plásticos, revelou em exclusivo para o Vanguarda o ambientalista Vladimir Russo.

O especialista explica que a queima dos resíduos orgânicos não é tão preocupante, mas ao contrário, os resíduos compostos por plásticos e outros produtos de origem desconhecida libertam toxinas que podem ser prejudiciais à saúde pública e particularmente às pessoas mais sensíveis do ponto de vista das alergias e do foro respiratório.

O entrevistado refere ainda que esta queima pode causar poluição no ar que pode, além do ser humano, afectar outras espécies. Mencionou que quando há queimas, as cinzas acabam por ficar nos solos e depois com as chuvas podem fazer parte das chamadas concorrências pluviais e infiltrar no solo ou ir parar no mar e ter um impacto negativo sobre as espécies marinhas ou sobre os lençóis freáticos.

Para o ambientalista, o tratamento que se deve dar ao lixo é tratar da sua reutilização para um conjunto de outras actividades importantes. “Devemos tratar o lixo como uma matéria prima que pode ser reciclada, a chamada economia circular e reutilizar utensílios até não ser mais possível usar e evitar sempre que o resíduo vai parar numa lixeira ou em um aterro sanitário.

Vladimir Russo lamentou o facto de não termos aterros sanitários no País, pelo que grande parte dos resíduos acabam por parar numa lixeira a céu aberto e “isso causa outras consequências gravosas para a qualidade do ambiente e a qualidade de vida das pessoas”.

Para a melhoria da gestão desses resíduos, o especialista apresenta algumas soluções que passam por um conjunto de medidas que estão relacionadas não só com a identificação do modelo adequado e que deverá ser diferenciado entre os diferentes municípios e permitir que haja recursos por parte do Estado para a gestão dos resíduos.

O antigo director nacional do Ambiente disse que a gestão dos resíduos sólidos é um serviço pago que é prestado e por ser pago deveria ser um serviço de qualidade e mais eficiente, na medida em que o cidadão que contribui com a sua taxa mensalmente deve ver os resultados na prática.

Solução só em Março

Recorde-se que o Governo de Luanda tinha, até Novembro passado, uma dívida acumulada de mais de 246 mil milhões Kz (308 milhões de euros), situação que forçou a governadora Joana Lina a suspender os contratos com seis operadoras por incapacidade de liquidar os pagamentos atrasados e que o montante da dívida não condizia com a qualidade da limpeza urbana.

Face a esta situação toneladas de lixo espalhados na cidade de Luanda, sobretudo nas vias primárias e secundárias, passagens de táxi, mercados, passadeiras e interior de vários bairros têm marcado o quotidiano dos luandenses e os populares manifestam-se desiludidos com o cenário caótico.

De acordo com Joana Lina, um novo modelo de prestação do serviço de recolha e limpeza vai ser adoptado para a capital e terá como moldura legal o modelo aprovado pela Comissão Económica do Conselho de Ministros, o qual previa melhorar a prestação de serviços e ajudar o Estado a poupar 16 milhões USD mensais.

De modo a atenuar a situação, a governadora disse que enquanto não entram os novos operadores saídos do concurso público, até 31 de Março estará em funcionamento um plano emergencial, que junta o GPL, algumas empresas no âmbito da sua responsabilidade social e comissões de moradores de diversos bairros.

O governo da província de Luanda promoveu no último dia 15 do mês corrente uma campanha de limpeza que contou com aproximadamente 10 mil pessoas entre membros da sociedade civil, igrejas, Polícia Nacional e exército, empresas de limpeza e de construção civil.