COVID-19: Sentimento de frustração entre a classe médica

Médicos angolanos criam sentimentos de frustração devido os riscos de contágio do

Luanda /
26 Mar 2020 / 20:29 H.

O presidente do Sindicato de Médicos de Angola fez saber hoje em Luanda que o

sentimento entre a classe “é de frustração”, sobretudo pelas debilidades das medidas de

biossegurança em relação à coivd-19.

Em declarações ao jornal, Adriano Manuel disse que de forma geral a classe médica

angolana está preparada para a situação da covid-19, com o registo já de três casos

positivos no país, “mas o grande problema são as medidas de biossegurança de que o

país não dispõe”.

Adriano Manuel frisou que a carência dos equipamentos de biossegurança aumenta a

probabilidade de os hospitais serem uma fonte de contágio, e Angola está nesta situação

actualmente.

Segundo o presidente do Sindicato de Médicos de Angola, “encorajar um médico para

trabalhar nestas condições fica muito difícil”.

“Quando não temos quase nada, nós temos hospitais que nem água potável têm, temos

médicos que estão a trabalhar sem luvas, sem máscaras, e quando isso acontece é coisa

para dizer que a situação não está boa”, aferiu.

Para o sindicalista, é preciso uma aposta forte na sensibilização da população, “para que

as pessoas cumpram escrupulosamente aquilo que são as orientações do Ministério da

Saúde e, acima de tudo, com o estado de emergência que vai começar agora”.

A par da questão da biossegurança, Adriano Manuel manifestou preocupação com os

hospitais de uma forma geral, que “não estão preparados”.

“Os hospitais angolanos não estão preparados, exceptuando aquele hospital de campanha

em que colocaram lá alguns meios, todo o resto dos hospitais não estão preparados”,

frisou.

A título de exemplo, Adriano Manuel disse que em Angola não há cuidados intensivos

com mais de 20 ventiladores mecânicos.

“O país de uma forma geral não deve ter mais de 50 ventiladores mecânicos, e nas

províncias que os hospitais têm ventiladores mecânicos, o pessoal não sabe trabalhar

com eles, porque não foram preparados para isso”, salientou.

Adriano Manuel disse que “Os médicos estão preocupados, porque como são eles os

elementos da linha da frente, tanto médicos como enfermeiros, a probabilidade de haver

contágio é muito grande, ninguém quer morrer, essa é a grande preocupação da classe

médica e dos enfermeiros em geral”, sublinhou.

O presidente do Sindicato de Médicos de Angola disse que “existem hospitais que os

médicos não querem trabalhar, porque não têm meios de segurança”.

“Daí que a declaração do estado de emergência foi uma declaração muito bem-vinda e

bem acolhida pela classe médica em geral”, referiu.

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