Construção do metro de Luanda só em 2022 numa Parceria Público-Privada

Neste momento estamos a fechar o draft para avançar com uma PPP sem custos para o Estado angolano, em função das limitações orçamentais actuais.

Luanda /
25 Jan 2021 / 13:55 H.

A construção do metro de superfície de Luanda deverá apenas acontecer em 2022, depois de concluída a estruturação da Parceria Público-Privada (PPP), que já teve o início, assegurou ao Vanguarda, Eugénio Fernandes, que responde pelo projecto a nível do Ministério dos Transportes.

Com um custo total estimado em mais de 3 mil milhões USD, o responsável adiantou que como o tempo do estabelecimento de uma PPP tem um mínimo de 12 meses e um máximo de 18 meses, o mais sensato é que as obras comecem no próximo ano.

“Neste momento estamos a fechar o draft para avançar com uma PPP sem custos para o Estado angolano, em função das limitações orçamentais actuais,”, disse, notando que a alemã Siemens Mobility é o parceiro tecnológico escolhido para a materialização da infra-estrutura, mas que nada ainda esta fechado.

“Há outras empresas interessadas no projecto, como as chinesas. Estamos abertos a novos investidores e o percentual de acções para cada participada será apenas definido quando o pacote estiver fechado”, assegurou.

Os trabalhos iniciais incidem sobre a construção das linhas e os terminais de passageiros. Inicialmente tinha sido noticiado que Angola teria uma participação de 30%, cabendo os 70% aos agentes privados nacionais e internacionais interessados em participar do projecto.

O metro, que vai ter uma extensão de 149 quilómetros, consta das prioridades do Governo, no sentido de trazer maior mobilidade e reduzir o congestionamento de Luanda. A infraestrutura vai cobrir os principais eixos da cidade, isto é, do Porto de Luanda a Cacuaco, Avenida Fidel Castro-Benfica, Porto de Luanda-Largo da Independência e Centralidade do Kilamba-Largo da Independência.

A linha amarela do metro de superfície de Luanda, que compreende a primeira fase, vai unir o Porto de Luanda à centralidade do Kilamba, numa extensão de 37 quilómetros, com estações nas imediações do Aeroporto 4 de Fevereiro, Unidade Operativa de Luanda e no distrito urbano da Sapú.

O traçado, que serve de eixo entre dois pontos principais da capital compreende o troço Porto de Luanda/Zamba 2, numa extensão de 7km e o trajecto Zamba 2 Kilamba, compreendendo 30km.

Já a linha azul, da segunda fase, engloba o troço Benfica/Zamba 2, com 28km, enquanto a terceira fase (linha vermelha) vai abranger o troço Cacuaco/Benfica (Av. Fidel Castro), numa extensão de 58km. A quarta fase (linha verde), com uma extensão de 26 Km abrange os troço Cacuaco/Porto de Luanda.

Custos

Em termos de custos, a obra entre Porto de Luanda/Zamba II (7Km) está orçada em 200 milhões de Euros, enquanto o troço Zamba II – Kilamba, de 30Km, custará 800 milhões Euros.

Serão usados dois tipos de veículos. O DMU, por exemplo, tem prevista a circulação em linhas urbanas e suburbanas, com intermodalidade nas linhas vermelha e amarela e está indicado para distâncias maiores. Tem velocidade máxima de 100km/h e capacidade máxima de 700 passageiros.

Por seu lado, o MEU deverá circular nas linhas suburbanas (vermelha) e é indicado para distâncias maiores. Tem velocidade máxima de 120km/h, com capacidade de transportar até 500 passageiros.

Até Julho de 2020 foi concluída a emissão do decreto presidencial, delegação de poder aos ministro dos Transportes, como coordenador do projecto, ministro da Construção, como coordenador adjunto e a ministra das Finanças para as soluções financeiras.

Nos meses de Julho/Agosto de 2020 foi concluída a negociação com o parceiro tecnológico o pagamento de cerca de 30 milhões Euros para dar início dos trabalhos no terreno, garantir o início da circulação em 2022, e o uso de recursos próprios do Mintrans.

História

A história da construção do metro de superfície tem mais de 10 anos e nunca saiu do papel. O projecto começou com o então ministro dos transportes, José Luís Brandão e depois atingiu uma outra fase com o antigo ministro do mesmo sector, Augusto da Silva Tomás. O mesmo previa a conclusão em 2017.