António Venâncio defende melhorias no processo de recolha de lixo

O elemento fundamental no processo de gestão dos resíduos sólidos é a população, aquém o Estado deve sensibilizar, mobilizar e instruir no sentido de valorizar os resíduos sólidos que gera.

Luanda /
25 Jan 2021 / 15:27 H.

O novo modelo de recolha de lixo no País deve incluir, no seu instrutivo, o processo de remoção, selecção, transporte, acomodação, compostagem e incineração, defendeu recentemente o engenheiro civil, António Venâncio.

Lembra que todo o material descartado pelas famílias e instituições deve ser separado e declara ainda que 99% não é considerado lixo, mas sim resíduos sólidos. Segundo aponta, há vários resíduos sólidos que têm valor económico importantes que não devem ser vistos como se de lixo se tratasse.

De acordo com o engenheiro de construção civil, o elemento fundamental no processo de gestão dos resíduos sólidos é a população, aquém o Estado deve sensibilizar, mobilizar e instruir no sentido de valorizar os resíduos sólidos que gera.

Esclarece ainda que a população deve ser reeducada a separar os resíduos sólidos por natureza, existindo a necessidade de serem criados ecopontos, de modo a incentivar os habitantes a depositar tudo aquilo que não necessita de acordo com a sua tipologia.

“Nós devemos deixar de fazer a gestão de lixo e começar agora a fazer a gestão de resíduos sólidos, porque tem valor económico e entram para uma cadeia, e daí são transformados e regressam novamente para as nossas mãos, ou seja, a tão conhecida economia circular”, disse.

O engenheiro explicou também que a recolha de lixo tem custos muito elevados, pois as pessoas têm de depositar tudo num só contentor entre materiais recicláveis e matéria orgânica, algo que considera inconcebível.

António Venâncio disse, que estão a ser deitadas fora riquezas. A gestão de resíduos sólidos gera muitos postos de trabalho e pode sustentar muitas famílias. “O que fizemos é pegar nos resíduos sólidos e deitar fora”, disse, ressaltando, que é como a problemática da água da chuva, cujas águas não são reaproveitadas.

Garantiu que Luanda produz cerca de sete mil toneladas de resíduos sólidos por dia, que totalizam sete milhões de quilos que nele pode advir muita matéria-prima para a indústria.

“Há que se ver a questão da protecção ambiental, ao manusearem-se os resíduos sólidos da maneira que fizemos, cria-se aqui cenários de insalubridade, o que é anti-higiénico” lamentou.

António Venâncio, explicou que nos aterros sanitários são encontradas pessoas a fazerem catação de lixo e deste jeito conseguem subtrair matéria-prima para ser transformada em novos produtos ou até aproveitamento directo, assim como algumas pessoas que retiram alimentos deteriorados para o consumo.

António Venâncio apela às autoridades a olharem para os resíduos sólidos com maior responsabilidade. “A palavra lixo deve começar a sair um pouco do léxico dos cidadãos, é preciso ensinar a população no sentido de tratarem aquilo que se diz lixo como matéria prima” referiu.

“Existem países que trabalham os resíduos sólidos, transformam em paletes das viaturas e exportam para outros países que os aproveitam, e fazem disso uma fonte geradora de energia de gás butano, aproveitando os resíduos sólidos para introduzir na economia e os resultados têm sido muito animadores”, garantiu.

Falta de saneamento

António Venâncio lembra igualmente que há necessidade de se reconhecer que Luanda não tem saneamento básico, o que tem neste momento são algumas acções isoladas em que se gasta muito dinheiro.

“É preciso que se crie uma instituição responsável pelo saneamento básico em Luanda bem estruturada e incluir nele todas as suas componentes, por ser uma actividade integrada e que não pode ser vista de forma isolada, como exemplo a água não pode estar dissociada da drenagem”, afirma.

Segundo explicou, sem saneamento básico o nosso índice de mortalidade vai continuar alto, continuaremos a não ter saúde pública que é o que nos falta. Alerta que o Estado deve deixar de querer alargar os espaços hospitalares, montar mais camas quando o que se deve fazer é detectar as principais causas das doenças.

Em tom de conclusão, o engenheiro referiu que o Governo deve garantir que não existam lagoas e lamaçais nos bairros e assim as pessoas vão deixar de ir aos hospitais com muita frequência. “Não se pode achar normal os utentes recorrerem aos hospitais mais de sete vezes ao ano como acontece actualmente. Em Angola os hospitais funcionam como se fosse um banco de urgência”, remata.