Relatório da Pangea Risk visa manchar imagem do Presidente

Os ataques de supostos descontentes eram esperados, mas a luta contra corrupção continua por ser um dos pilares da governação de João Lourenço

Luanda /
24 Fev 2021 / 11:51 H.

O secretário do Bureau Político do MPLA para Informação, Albino Carlos, disse haver uma campanha de desinformação conduzida por angolanos no estrangeiro que visa desviar a atenção da opinião pública nacional e internacional, relativamente ao combate à corrupção, um dos principais pilares da governação do Presidente João Lourenço.

Albino Carlos reage assim à informação (veiculada pela imprensa internacional) de que o Presidente da República e do MPLA é alvo de investigação nos Estados Unidos da América (EUA) cujo resultado poderá condicionar o financiamento multilateral, bem como a reestruturação da dívida dos países lusófonos.

A informação, que também visa altas figuras ligadas ao partido no poder, resultou de um relatório da consultora Pangea Risk, dita especializada em análise de gestão de risco em África e no Médio Oriente. Diz-se ser patrocinada pela empresa Trafigura, maior fornecedora de combustível no mercado nacional.

Face ao impacto da notícia, Albino Carlos, em declarações ao Vanguarda, mostrou-se convicto de que a campanha visa igualmente desacreditar o MPLA quando se aproxima a data da realização do congresso ordinário daquele partido e das eleições gerais (2022).

“Repudiamos veementemente estas manobras cujo objectivo é de manchar a imagem do Presidente João Lourenço”, disse o membro do Bureau Político do partido governante, afirmando que uma das maiores qualidades do também Chefe de Estado é a coragem política quando se fala do interesse supremo do País.

O responsável para informação dos camaradas também considerou infundados os comentários, inclusive de membros do MPLA, que insinuam uma possível selectividade na justiça ou perseguição política, nos casos ligados à corrupção e más práticas de governação.

Ainda sobre esta matéria disse “o MPLA jamais se imiscui ou condicionou a actividade dos órgãos de justiça e respeita a separação de poderes. Todas essas informações visam distrair a comunidade internacional, a fim de retrair o investimento estrangeiro no País”.

Embora existam vozes discordantes no seio do partido, relativamente ao combate à corrupção, Albino Carlos afirma que o MPLA continua coeso, mas “é preciso perceber que está a passar por uma dinâmica e resultará num partido mais forte, pronto para novos desafios”.

Também reafirmou que o combate à corrupção vai continuar, apesar dos descontentamentos demonstrados, até por alguns membros de proa do partido, porque é baseado na Constituição da República de Angola (CRA) e na Lei.

“Estamos atentos. Trabalhamos com serenidade para melhorar a situação agudizada ainda mais pela pandemia da COVID-19”, disse o secretário para Informação dos camaradas, alegando o MPLA estar preparado para enfrentar os próximos desafios eleitorais.

Factos alegados

A Pangea indica que os EUA estão a investigar João Lourenço e membros da família por uma série de alegadas violações da legislação sobre práticas de corrupção no estrangeiro (FCPA), transações bancárias ilegais, fraude bancária para compra de propriedades nos Estados Unidos e tentativa de defraudar o Departamento de Justiça norte-americano.

No relatório, a consultora diz ainda que as supostas práticas de fraude, corrupção e peculato “deverão ter impacto nos investidores estrangeiros em Angola e frustrar as relações do País com doadores e credores nos próximos meses”.

A Pangea Risk aponta também o envolvimento com a empresa de ‘lobbying’ e relações públicas Squire Patton Boggs, a quem terão sido pagos 1.042 milhões de dólares parte dos quais direcionados para a ERME Capital, sediada em Malta, gerida por Pedro Pinto Ferreira e Maria Mergner, amigos do ex-vice-presidente Manuel Vicente, que a consultora diz ser “um aliado próximo do Presidente Lourenço e rival político e empresarial de Isabel dos Santos”.