“Os que desviaram o dinheiro do País querem desestabilizar Angola”

Num discurso improvisado, na abertura da abertura do 8º congresso da JMPLA, braço juvenil do MPLA, o presidente deste partido, João Lourenço, afirma que o combate empreendido contra a corrupção tem agora a sua reacção, que é a manifestação marcada para hoje, 11 de Outubro.

11 Out 2019 / 10:07 H.

“Os mesmos que estavam embrulhados na corrupção, desviaram os recursos do País para o estrangeiro são os que estão a utilizar esses mesmos recursos para financiarem a campanha de desestabilização e desintoxicação contra Angola”, disse o presidente do MPLA, João Lourenço.

Falando durante a abertura do 8º congresso da JMPLA, braço juvenil do MPLA, a propósito da manifestação marcada por alguns artistas, nomeadamente, Gangster, Dog Murras, com o incentivo de outros como Paulo Flores, João Lourenço disse tratar-se de uma campanha que visa não a figura do Presidente da República, mas o País.

“Digo bem e repito: esta campanha não é contra o Presidente da República, é contra o País”, reiterou João Lourenço, para quem a mesma campanha não vem sendo movida nem por forças estrangeiras, nem por forças da oposição. “Estas campanhas vêm sendo movidas por nacionais aparentemente do MPLA, e digo aparentemente, porque não se portam como tal, e ainda têm o descaramento de falar em nome do povo”, aponta.

Em meio às palmas, João Lourenço questiona: “Quando eles desviaram as riquezas do nosso País repartiram com o povo? Repartiram com os jovens? Como é que agora vêm falar em defesa do povo e dos jovens em particular? Coitados dos jovens estão a passar mal”.

“Estão a ser pagos por quaisquer 100 euros, se calhar menos, porque aqueles avarentos não lhes vão pagar muito mais”, disse o presidente do MPLA, sem, no entanto, citar os nomes de quem entende serem os financiadores da referida campanha.

Mas essa campanha, deduz João Lourenço, é uma reacção face à luta contra a corrupção empreendida pelo Executivo, uma luta que deverá continuar. João Lourenço admite que é preciso criar empregos, mas alerta que tal só será possível se houver combate à corrupção. “Se a corrupção continuar, não vai haver investimento, nem nacional nem estrangeiro, e, face a isso, não vai haver emprego”, lembrou.

“Tolerância Zero não resultou”

O presidente do MPLA passou em revista as últimas décadas, realçando que o fracasso do combate à corrupção, nomeadamente a “Tolerância Zero”, mote lançado pelo ex-Presidente da República, José Eduardo dos Santos ( JES), em 2009, durante o congresso ordinário. Nesse discurso, JES alertou para o fim da corrupção, implementando uma “tolerância zero” à corrupção e à falta de transparência na coisa pública. “Queria agora pedir que todos nos acompanhem neste esforço para iniciarmos, em 2010, uma nova era, uma era que nos permita ir atacando os problemas que foram relegados para segundo plano porque tínhamos outras prioridades, seja no contexto da consolidação da paz e da reconciliação nacional, seja no contexto da reconstrução nacional”, disse JES.

João Lourenço, no entanto, faz avaliação negativa à medida de JES. “Falou-se em “tolerância zero”, mas não resultou”, disse. Pelo contrário, João Lourenço faz avaliação positiva ao combate liderado por si:“Deram-nos esta incumbência, nós, como não gostamos de fingir que fazemos as coisas, não gostamos de enganar o eleitorado, consideramos errado e injusto utilizar os eleitores só para votarem em nós, prometendo coisas para fazer de contas, procuramos cumprir com esta incumbência que o partido nos deu, mesmo antes de sermos Chefe de Estado, e a luta está aí para quem quer ver”.