Notícia contra João Lourenço demonstra crise no MPLA

A informação que dá conta da investigação do Presidente da República, João Lourenço, nos Estado Unidos da América (EUA), por indícios de corrupção, é resultado do descontentamento no seio do MPLA, pela forma como está a ser executado o programa de combate à corrupção, disse Maurílio Luyele, primeiro vice-presidente do Grupo Parlamentar da UNITA.

22 Fev 2021 / 12:40 H.

Maurílio Luyele acredita haver disputa interna no partido maioritário porque há membros de alta direcção com fortes indícios de cometerem crimes de corrupção, mas são supostamente perdoados, enquanto outros foram julgados e condenados.O parlamentar do galo negro fez questão de lembrar as informações comprometedoras (também divulgada pela imprensa estrangeira) contra membros do Executivo e da confiança do Presidente da República, João Lourenço. “São os casos de Edeltrudes Costa e do Ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, duas entidades comprometidas”.

Apesar da diferença política, o membro da UNITA, ouvido pelo Vanguarda, mostrou-se solidário com Presidente da República e do MPLA quando disse que carece de confirmação a notícia divulgada pela imprensa estrangeira, cuja fonte é um relatório da consultora Pangea Risk, supostamente, especializada em análise de gestão de risco em África e no Médio Oriente.

O combate contra a corrupção, defende, deve ser levado acabo com muita seriedade, caso contrário poderá acirrar ainda mais a crise interna no partido dos camaradas cujos resultados podem ser imprevisíveis.

“A luta contra a corrupção deve ser conduzida como um programa de Estado e não como uma bandeira partidária, daí também os descontentamentos no seio deles”, afirmou.O primeiro vice-presidente do Grupo Parlamentar da UNITA considera que o descontentamento de altas figuras está a fragilizar o MPLA, no poder há quase 46 anos. Preocupado, “João Lourenço foi obrigado a fazer uma certa aproximação com determinados correligionários descontentes para amenizar a situação”.

Para o político do partido rival, a situação actual do MPLA é muito mais preocupante em relação a 1992, em que a divergência era ideológica.“Hoje o problema é mais profundo. Trata-se de um confronto entre um grupo de altas entidades que antes detinham e controlavam o poder económico contra os que nada tinham. Se em 1992, a grande família MPLA conseguiu se reencontrar, desta vez será o fim”.

Manuel Fernandes, presidente da Convergência Ampla de Salvação de Angola – Coligação Eleitoral (CASA-CE) encara com cepticismo a veracidade da notícia produzida à base do relatório da consultora Pangea Risk porque “se há uma investigação nos Estados Unidos da América estaria sob alçada dos Tribunais que são instituições sérias”.

Mas, se a notícia for verdadeira, afirma, deita por terra todo o trabalho realizado para melhor a imagem e a reputação de Angola, conseguida em função da luta contra a corrupção, iniciada com

a chegada de João Lourenço à Presidência de República.

“O combate contra a corrupção deve ser levado acabo com muita seriedade, caso contrário poderá acirrar ainda mais a crise interna dos camaradas” texto Fernando Baxi foto DRda luta contra a corrupção, iniciada com a chegada de João Lourenço à Presidência de República.

A informação veiculada, expondo a figura do Presidente da República, na opinião do novo líder da CASA-CE, pode ainda afectar o ambiente de negócio e desacreditar os investidores estrangeiros que jamais aceitariam investir num País onde não há credibilidades das instituições do Estado.