Ngonda ignora pacto da ‘concórdia’ e avança na presidência da FNLA

Os irmãos dizem estar convictos de que o presidente cessante está a cumprir a agenda de organizações antagónicas com o objectivo de extinguir o partido

Luanda /
04 Mai 2021 / 16:09 H.

A candidatura de Lucas Ngonda à presidência da Frente Nacional de Libertação (FNLA) constitui uma afronta ao pacto de 2017, em que jurou ('de pés juntos') abandonar a liderança no fim do ciclo eleitoral, queixam-se os membros daquele partido político.

Na véspera das eleições de 2017, os protestos contra o presidente da FNLA generalizaram-se. Lucas Ngonda passou a ser contestado inclusivamente pelos membros da ala que liderava.

“A intenção dos membros de direcção do partido era de o destituir da presidência porque tínhamos chegados à conclusão de que todos os problemas provinham dele. Apenas defendíamos a reunificação dos irmãos desavindos”, disse Álvaro Nzinga, membro da FNLA.

Face ao contexto político, as partes em divergência procuram encontrar o entendimento “porque os objectivos da organização estavam acima das ambições pessoais”. Assim, contam os membros do partido dos irmãos, ficou acordado que Lucas Ngonda permanecesse na presidência até ao ciclo eleitoral 2017-2022.

O ‘truque’ da reforma

A intenção era de acomodar ou melhor de garantir a reforma do presidente da FNLA na Assembleia Nacional (AN), porque o quinquénio 2017 - 2022 marcaria o fim da vida política do sociólogo que em 1994, “nas vestes de secretário nacional para informação, ‘assaltou’ a liderança do partido, substituindo o líder fundador, Holden Álvaro Roberto, que se encontrava em França”.

O pacto foi selado, o partido dos irmãos conseguir um assento no Parlamento nas eleições gerais de 2017; o presidente passou a representar a FNLA na ‘Casa das Leis’, como acordado.

“O partido ficou unido, inclusive os irmãos desavindos louram a nossa iniciativa porque tínhamos conseguido evitar a extinção desta organização histórica”.

Quando tudo apontava para a concórdia e reunificação dos irmãos, Lucas Ngonda, “volta a complicar as coisas , ignorando o pacto assumido em 2017”.

O ‘golpe ’ de mestre

Em Outubro de 2020, Lucas Ngonda convoca uma reunião extraordinária para renovação de mandato dos órgãos de direcção, inclusive do presidente. O também professor universitário anuncia aos militantes (aliados) a pretensão de continuar à frente dos destinos da segunda maior força política (na perspectiva dos movimentos de libertação).

Os membros aliados voltaram-se contra a ambição do presidente porque violava o pacto da ‘concórdia’ que, segundo os militantes daquela organização política, certamente seria a solução da crise política interna despoletada em 1994 por Lucas Ngonda, ao tomar de ‘assalto’ a presidência.

Desapontado com o repúdio dos membros de direcção (Bureau Político), Lucas Ngonda destituiu-os, nomeando outros. “O procedimento do presidente viola os estatutos do partido, movemos uma acção contra ele no Tribunal Constitucional (TC) que já emitiu um parecer favorável a nossa reclamação. Mas, o velho Ngonda insiste caminhar em sentido contrário”.

O líder da FNLA, avançam, também poderá violar os princípios estatutários daquela agremiação político-partidária, se o V congresso ordinário for realizado em Junho de 2021, como foi anunciado.

“Os estatutos do nosso partido rezam que o congresso ordinário deve ser realizado um ano depois de ser convocado. Desta forma, deve ser organizado no mês de Outubro e não em Junho 2021”, explicou Rafael Domingos Dala.

Pelas manobras efectuadas, dizem, os militantes e simpatizantes da FNLA estão agora mais convicto de que Lucas Ngonda tem a missão de afundar ou meRENOVAÇÃO DE MANDATO Ngonda ignora pacto da ‘concórdia’ e avança na presidência da FNLA Os irmãos dizem estar convictos de que o presidente cessante está a cumprir a agenda de organizações antagónicas com o objectivo de extinguir o partido texto Fernando Baxi foto DR lhor extinguir aquele partido político, considerado histórico, face à participação no processo de libertação de Angola do jugo colonial português.

O presidente dos irmãos, Lucas Ngonda disse à imprensaque decidiu se recandidatar à presidência da FNLA a pedido dos militantes porque, segundo ele, a sua saída afundaria o partido. Mas, garantiu que sai em 2022.

Tentámos contactar o presidente da FNLA, Lucas Ngonda, mas sem sucesso. Até ao fecho da presente edição, o representante do partido dos irmãos no Parlamento não atendeu aos nossos telefonemas.