MPLA ajusta-se para o controlo político da província de Luanda

A crítica acredita que o partido dos camaradas está atento às movimentações políticas da oposição na maior praça eleitoral, razão pela qual ajustou a estratégia política

Luanda /
04 Mai 2021 / 12:43 H.

Os objectivos político-partidários programados para os próximos anos motivaram o MPLA a reformular a estratégia de actuação na província de Luanda, partindo do princípio de que o governador provincial deixa de acumular o cargo de primeiro-secretário do partido dos camaradas, defendem especialistas.

A província de Luanda, afirma Alfredo Daniel, cientista político, era das poucas em que o primeiro-secretário do MPLA também exercia as funções de governador provincial, ao contrário das restantes. “A estratégia na capital do País deve ser diferenciada pelo facto de ser a maior praça eleitoral. Aliás, é igualmente o centro político-administrativo”.

Advinha-se uma disputa política renhida na província de Luanda nas próximas eleições gerias (2022), tal facto, segundo ainda o politólogo citado, todos os partidos políticos encaram-na com particular atenção, tendo em conta a possível dispersão de votos.

“Os últimos acontecimentos sociais em Luanda (manifestações juvenis) poderão ter um custo político no momento eleitoral e o MPLA, atento à reacção e ao movimento das massas, foi buscar um quadro experimentado em matéria de mobilização e propaganda, justamente para inverter o quadro que lhe-é desfavorável”, disse Alves de Almeida, sociólogo, em declarações ao Jornal Vanguarda.

Para o sociólogo, a separação de funções (governador provincial/primeirosecretário do MPLA) está longe de ser por incompetência, mas por estratégia do próprio partido, tendo em conta a aproximação do período eleitoral.

“A governadora de Luanda, Joana Lina, concentrar-se-á nas questões administrativas, enquanto a matérias político-partidária fica a cargo do primeiro-secretário, Bento Bento, um mobilizador experimentado que, diga-se em abona da verdade, terá muito trabalho para persuadir o eleitorado luandense, principalmente os mais jovens”.

Franco Maria Vilombo, politólogo, entende que as duas entidades terão de combinar esforços porque o resultado político em Luanda vai depender do desempenho da máquina administrativa da capital. “A simbiose dos dois entes jamais deve ser ignorada, se a intenção é controlar a capital, do ponto de vista político, ante a ‘ameaça’ da oposição”.

A direcção do MPLA, de acordo com Alfredo Daniel, ajustou, à medida das encomendas, a estratégia política na maior praça eleitoral do País, visto que a oposição também vai apostar em forte para as próximas eleições gerais.

Os opositores do partido no poder, diz o politólogo, vão apegar-se nas fragilidades socais e económicas actuais, daí a necessidade de se ter um homem forte em matéria de mobilização e propaganda na província de Luanda.

“Também é preciso referir que o resultado eleitoral do MPLA em Luanda nas eleições gerais de 2017 foi negativo. A oposição esteve melhor, se o trabalho de casa não for bem feito, a ‘história’ poderá se repetir”, disse ao Vanguarda.

Bento Joaquim Sebastião Francisco Bento volta a um cargo que já exerceu de 2007 – 2016, tendo sido substituído por Higino Carneiro, quando nomeado governador provincial de Luanda.

Conta-se que Bento Bento consta da lista dos primeiros e poucos membros do partido dos camaradas que já acumulou o cargo de primeiro-secretário do partido e governador de Luanda.

Analistas também dizem que a direcção do MPLA terá pensado nessa estratégia política para Luanda em 2011, quando nomeou Bento Bento a governador provincial.

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