“Mania” de Ngonda pode levar FNLA à extinção

Lucas Ngonda condiciona a sua saída da liderança e vida política activa, 14 meses depois do congresso de transição, cuja convocação está para os dias 12 e 13 de Dezembro de 2019, do qual deve ser reconduzido para um “mandato de transição”.

02 Dez 2019 / 10:56 H.

Mergulhada numa crise profunda, quiçá – uma verdadeira manta de retalhos, com custo político no seu desempenho, mormente desastrosos resultados eleitorais - a Frente de Libertação de Angola (FNLA) parece dar sinal de sair do fundo do poço. O seu presidente, Lucas Ngonda, duramente contestado internamente convocou para os dias 12 e 13 de Dezembro próximo a realização de um “congresso de transição” resultante de um alegado “Pacto de Entendimento”, rubricado a 25 de Outubro de 2019.

Será desta vez que os irmãos “desanexados por alas” deverão separar o “trigo do joio” – deitar por terra o que os divide privilegiando aquilo que os une – o bem comum daquele partido histórico fundado por Álvaro Holden Roberto?

Os conflitos internos na FNLA são cíclicos e perduram no tempo. A crise no “partido dos irmãos” radica desde 1999, altura, em que Lucas Ngonda realiza um congresso não reconhecido pelo então presidente e fundador do partido Holden Roberto.

De lá para cá a “nata” da FNLA não soube fazer leitura dos tempos, pois a ambição desmedida do poder por parte de alguns dirigentes daquele partido tem sido a tónica dominante, fragilizando de que maneira a FNLA, que de partido histórico resta unicamente o nome.

Sucessivamente – em cada disputa eleitoral aquele partido soma resultados desastrosos, posicionando-se na cauda dos demais partidos da oposição, inclusive de partidos novos como por exemplo a CASA-CE, o que é inconcebível pelo seu activo político histórico.

Este partido obteve nas eleições gerais de 2008 1,13% dos votos elegendo dois deputados, nas eleições seguintes (2012) ficou com apenas 1% dos votos e 3 deputados, com 61.394 eleitores (0,91%) a Frente Nacional de Libertação de Angola elegeu 1 deputado, o próprio contestado líder partidário Lucas Ngonda. Estes dados reflectem bem o descalabro da FNLA nos últimos tempos, um partido sem“chama” e sem vocação de poder.Mais do trocar farpas – encontrar culpados todas as alas devem se sentar a mesma mesa para um diálogo conciliador e consequente salvação do partido.

Lucas Ngonda precisa afastar o ego de presidente para dialogar com o seu irmão Ngola Kabangu, quiçá todas as vozes discordantes, mas que também questionam o “Pacto de Entendimento”.

Saiba mais nesta edição nº 147 do Jornal Vanguarda, já nas bancas.

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