Luís Kandjimbo: “A imoralidade de corrupção não é generalizada, existe ainda uma reserva moral”

O escritor fala do “renascer” da União dos Escritores Angolanos, o seu contributo social e, sem rodeios, diz o que pensa da governação e dos rumos do País.

Angola /
25 Mai 2019 / 20:25 H.

O que esteve em causa para a elaboração de uma análise swot na União dos Escritores Angolanos?

Foi um passo dado tendo em conta a nossa candidatatura para dirigir a União, vencermos as eleições, permitindo assim aos gestores da organização, no futuro, uma melhor articulação de ideias estratégicas. E traçamos um plano de acção que comporta também acções específicas. Neste caso concreto, a análise permitiu de facto desenhar um plano, de forma muito mais clara e perceptível, sem perder de vista uma perspectiva sistemática. Feito isto foi possível a candidatura da lista B, da qual fiz parte, vencer e agora pretendemos materializar o programa apresentado aos membros da União.

Quanto a valorização dos precursores da literatura angolana, quais os nomes a apontar?

É importante apontar a razão que subjaz a enunciação deste propósito. Não há nenhum sistema literário nacional que não deva ter em conta os seus expoentes.E tratando-se de uma área da cultura, em concreto, que tem a ver com a criatividade, com a criação literária, faz sentido que se dê valor aos agentes que produzem este acervo que constitui a produção literária nacional escrita, desde os momentos da sua génese. Estou a falar dos escritores que estão na origem da construção desta imensa Angola.Há que falar dos percursores, dos fundadores e das gerações que se seguem para se perceber o lastro de profundidade da literatura angolana. Estamos a falar de escritores angolanos que não sendo do século XX situam-se lá mais para trás, no século XIX. Quando falamos dos fundadores, fazemos referência à própria União dos Escritores Angolanos, fundada em 1975. Ao falarmos dos fundadores, referimos os escritores que, ao longo da história da União, fazem parte de uma determinada geração literária. Isto é um elemento importante ignorado na reflexão sobre a literatura, de tal maneira que o ensino da literatura angolana hoje no País não tem sido um domínio da cultura valorizado na sua verdadeira dimensão. Vemos que há um apagamento da literatura angolana, do ensino da literatura e da língua portuguesa. É preciso promover a articulação da dimensão simbólica, prática que a literatura representa, naquilo que tem que ver com a reprodução de um visão histórica da angolanidade. É isso que falta. Estes elos não têm sido bem articulados. Estou a manifestar a preocupação com o todo em que intervem a literatura, de que ela é apenas um dos elementos. Sublinhar a valorização dos precursores é chamar atenção para a história.

A revitalização da Maka à Quarta-Feira vai apegar-se à valorização?

Servirá para promover debates, interpelar os escritores, autores e leitores, e até novos talentos nas suas mais diversas posições no campo literário. É o exercício que a União assume como forma de trazer à reflexão, ao debate, os problemas da literatura, da cultura em articulação com todas as áreas que a compõem.

Acredita que vai resultar a promoção de novos talentos quando se sabe que perdeu-se rigor na língua portuguesa do ensino primário ao superior?

Primeiro, temos que olhar para a importância do sistema de educação e ensino, no que diz respeito ao desenvolvimento da literatura angolana e da língua portuguesa. Se fizermos o que nos compete neste domínio, passaremos a prestar mais atenção à qualidade do ensino da língua portuguesa e das línguas nacionais e da actividade que conduz a produção literária. Como sabe, não basta dominar a língua, há que, depois, ser-se capaz de praticar a escrita e a interpretação. São actividades que devem ser desenvolvidas ao nível do sistema de educação e ensino, nos seus mais diversos subsistemas. Ao mesmo tempo os leitores devem ter a garantia de saírem dos subsistemas de ensino com uma boa competência linguística. Efectivamente, é um grande desafio que temos, que a União dos Escritores Angolanos vai executar no biénio 2019-2022. Há também a necessidade de dialogar com as instituições que cuidam da elaboração dos planos curriculares, sobretudo da construção do currículo nacional que tem que ver com o ensino da língua portuguesa. O grande défice reside claramente aí.

Como é que a União vai controlar o deficit?

A União vai colaborar no esforço de produzir materiais de leitura. Aliás, temos que colaborar na formação dos professores de língua portuguesa, colaborar na materialização de conteúdos que contribuam em termos práticos para uma pedagogia da língua portuguesa, para que os professores de língua portuguesa desenvolvam uma competência linguística, hermenêutica. Repare que o fenómeno, isto é, o ensino da língua portuguesa é tão importante, constitui um ponto tão crucial que condiciona a capacidade de os próprios jornalistas interpretarem os acontecimentos que reportam. É que a qualidade do trabalho jornalístico depende também da qualidade do leitor, do telespectador, do radio-ouvinte. Por isso, não falaremos apenas na necessidade de trabalhar com sistema de educação e ensino, mas também de trabalhar de facto em prol de um sistema ao serviço da cultura angolana. Sem estes elementos que enunciei, a literatura angolana continuará a sofrer os efeitos das ameaças que a nossa análise swot identificou. É um trabalho mais complexo do que parece. Questionamo-nos sempre acerca dos leitores, alunos, sem proficiência em língua portuguesa, mas nunca nos interrogamos sobre o que estará na base disso. É sobre isso que recai a nossa preocupação. Mas temos de ser honestos. Para além das deficiências, há um conjunto de iniciativas que permite augurar que do sistema de educação e ensino saiam bons leitores e queremos que isso aumente a qualidade das obras literárias.

Entre resultados previstos, a criação de um conselho (estratégico) que inclui antigos presidentes e secretários gerais da União vai eliminar as ameaças apuradas em análise swot?

Não se pode garantir a perpetuação de gerações sem que elas dialoguem. Isso deve ser articulado com base numa perspectiva em que o conhecimento do passado deve determinar o futuro. A criação deste conselho serve para isto. Não se trata apenas de nomear antigos titulares de cargos da União dos Escritores Angolanos. Mas também de contar com os membros fundadores, que podemos considerar senadores, para compreendermos a história e a vocação da instituição, para que quando surgirem problemas, sejam resolvidos de forma harmoniosa com base numa experiência acumulada.

Aquando das eleições realizadas recentemente União se cogitava que este modelo serviria para acomodação de algumas figuras?

Não é para acomodar ninguém. Tem a ver com a necessidade de maior diálogo. Falo numa perspectiva individual e ao mesmo tempo colectiva. Faço parte de uma geração de escritores que emergiu nos anos 80 e reconhece a geração que nos antecedeu. Reconhecemos que devemos dar valor ao diálogo intergeracional de modo a resolvermos os nossos problemas.

Como pensa resgatar os apoios financeiros da Endiama e da Sonangol para a União?

A União dos Escritores Angolanos é uma instituição de utilidade pública, mas não é tudo. Os recursos são poucos e escassos. Nos últimos tempos houve dificuldades, por força da conjuntura económica e financeira. Perdeu-se o apoio destas grandes empresas públicas. Não podemos ser pessimistas. Devemos acreditar na nossa capacidade criativa de abordarmos os nossos parceiros, os gestores de empresas, públicas ou privadas, que agregam ao seu núcleo de negócio a responsabilidade social corporativa para juntos caminharmos em busca de outros apoios. Julgo haver sensibilidade para o efeito e os propósitos são em prol do desenvolvimento do País, através da literatura angolana.

Há muito que fazedores de cultura criticam o facto de Centros Culturais ligados a consulados de países com embaixadas cá no País, promoverem mais a nossa cultura do que União. Isto preocupa-lhe?

Não podemos ficar impávidos perante este quadro. Não somos contra essas iniciativas, pelo contrário são bem-vindas. É mais um contributo para o desenvolvimento da agenda cultural de Luanda,especialmente.Acabam por contribuir para estabelecimento do diálogo entre os povos. São instituições ligadas ao corpo diplomático e vamos abraçá-las sempre. Por outro lado, temos de alterar o estado de coisas. As Centros Culturais das Embaixadas e Consulados a que se refere não podem fazer tudo. É a nós que compete o trabalho de maior vulto, associado à soberania do conhecimento e da cultura. Então, a União dos Escritores Angolanos vai fazer o seu papel nesse sentido. Tem de haver, sim, uma inversão. Não para combater quem já contribui na sua medida, mas para contribuirmos assumindo um papel mais activo. A União acolhe muitos estudantes durante o período lectivo, aliás está sediada junto a uma zona escolar. Contudo, os serviços que a União presta não correspondem à demanda. A nossa estratégia não visa combater as acções das Centros Culturais das Embaixadas e Consulados de instituições de países amigos.O maior interesse consiste em garantir uma oferta formativa e de serviços associada à cultura, à literatura e à língua portuguesa.O destinatário é sobretudo o público mais jovem, os estudantes universitários e os professores cuja procura nem sempre encontra satisfação.

O intercâmbio cultural nos PALOP decaíu muito desde a década de 80. Pensam retomá-lo no âmbito da cooperação internacional que a União prevê?

Havia uma federação das associações de escritores de cada país destes países que se chamava-se Liga dos Cinco. Trata-se de uma associação que congregava as demais uniões de escritores nos PALOP que foi uma mola propulsora, um factor de desenvolvimento do diálogo com outros países africanos de língua inglesa, francesa e portuguesa. Funcionou por muito pouco tempo. No entanto, o seu modelo de gestão, a substituição dos secretários-gerais,por força dos processos de renovação dos corpos gerentes, complicou a coisa na época. Hoje a realidade é diferente e a tecnologia avançou muito e pode ajudar. Mas ajudar a reactivá-la para ser um elemento de abordagem de temas que hoje preenchem, por exemplo, a agenda da CPLP. E um dos segmentos que podem ser hoje debatidos é a mobilidade dos criadores e a circulação de suas obras. As mudanças que se registam nos países africanos de língua portuguesa, podem influenciar esse défice de diálogo que reconheço existir. As decisões politicas que emanarem da CPLP não terão sucesso, se não tiverem apoio dos criadores como é o caso de escritores, tal como foi na década a que a sua pergunta se reporta.

O que está projectado neste início de mandato para o Centenário de Agostinho Neto?

A União dos Escritores Angolanos, como sabe, tem em Agostinho Neto - o primeiro Presidente da República de Angola - o seu primeiro presidente da mesa da assembleia-geral, membro fundador, e não podíamos deixar passar em branco a homenagem por ocasião do seu centenário em 1922. A União vai associar-se as todas as iniciativas, seja do Executivo, seja da Fundação António Agostinho Neto, para que a juventude, os estudantes possam perceber a dimensão que não tiveram oportunidade de ver e viver. E, por isso, a União vai fazer tudo que estiver ao seu alcance. Gostaríamos de sublinhar, ainda a este propósito, o facto de a União dos Escritores ser parceira da Fundação António Agostinho Neto e de algumas universidades europeias na promoção de formações que se realizam no âmbito da cátedra Agostinho Neto.

Quanto a estratégia de manutenção de cátedras angolanas em instituições de ensino superior no estrangeiro o alvo é Portugal?

Não. Vamos diversificar ao máximo. Eu falava desta questão das cátedras a propósito do centenário de Agostinho Neto. Mas queremos elevá-las a outro nível. Estou referir-me a realização de eventos científicos internacionais, não só no País, de igual modo lá onde houver núcleos de interesse. É o que gostaríamos de intensificar, alargando esta rede pelo mundo, tendo em conta o nível de exigência de investigadores na Alemanha, França, Portugal, aqui em África com destaque para África do Sul, Ghana, Marrocos, Nigéria, Senegal, Camarões,República Democrática do Congo ou seja, países africanos de língua francesa e inglesa, para que possamos inscrever os nomes de nossos escritores na cena da literatura continental.

O que vai ser feito para se unir a família União dos Escritores Angolanos?

Durante os debates da campanha eleitoral houve temas que acenderam o contraditório, ao esgrimirem-se argumentos em defesa do programa de cada uma das listas. Ocorreram situações, se quisermos assim considerar, que alteraram ânimos. O que é próprio em situações do género. Então, ficou-se com a impressão de existir uma desunião da família de escritores angolanos. Os oponentes nos debates são nossos confrades, estão dentro de União e contamos com eles para edificação deste projecto. Não houve faltas de respeito. A União vai continuar a ser um palco de debates com particular destaque para a Maka à Quarta-feira. Há temperamentos diferentes e formas diferentes de abordar os mesmos temas. Vamos deixar para trás o acessório. O que mais mobiliza a nossa atenção agora é manter a paz e estarmos à altura do ambiente que se vive no País e contribuirmos.

Qual é a sua visão política, económica e até social do País na actual conjuntura?

O momento actual é de muitos desafios. Devo dizer que o País tem muitos problemas e reivindico muitas vezes, quando converso com estudantes, que o nosso Pais é nosso, não foi tomado de empréstimo. Temos a obrigação de sermos virtuosos, honestos, sinceros. Há uma dimensão que pouco se valoriza, que tem a ver com a prática moral. Devemos dar o sinal e indícios que permitam reconhecer o mal e fazer o bem, enquanto conceitos morais. Se esta reflexão existisse, posso dizer que teríamos uma capacidade ética robusta para contornar as armadilhas que a nossa realidade nos reserva. Temos imensos problemas de natureza moral. Isto significa que não vale a pena termos pressa de resolver problemas enquanto não compreendermos as maldades que afectam a prática moral. A questão moral tem que ver com comportamentos na relação com outros. Basta olhar hoje para o modo como na sociedade angolana, sobretudo nos meios urbanos, alguns adultos, jovens, estudantes, rapazes e raparigas se comportam fazendo a apologia do imediatismo e da opulência, acima de tudo.Por exemplo, chega-se à universidade aos 18 ou aos 20 anos, com comportamentos que não permitem cultivar virtudes, com atitudes repreensíveis modeladas pela imoralidade podendo dar lugar a punições mais graves na sociedade. Quanto a mim, a situação que se vive tem muito a ver com a necessidade de reflectirmos sobre as práticas morais.

Mas o que significa as práticas morais?

Significa dizer que o Pais não está tomado completamente por prática perversas, como aquelas que a imprensa tem denunciado como consequência de comportamentos que afectam a moral, tais como a corrupção, a fraude, o favoritismo e outros actos conexos. Mas existe um pequeno segmento da sociedade que pratica estes comportamentos perversos. Não é a maioria, evidentemente. Por isso, digo: há ainda uma reserva moral que reside no meio da maioria. Aqueles comportamentos são típicos de um certo tipo de cidadãos que, por essa razão, não podem ser generalizados.

É possível reverter?

Sim, desde que as questões morais sejam dignas de atenção. E diria ainda: por mais que pretendamos combater os comportamentos desviantes apenas com os recurso à legislação em vigor, precisaremos alterar o olhar e entender que para as futuras gerações, e mesmo para os que pertencendo a diferentes gerações operam no campo político, deve-se privilegiar em primeiro lugar a reflexão ética. Por isso, as novas gerações de políticos não podem concluir que será somente com sua acção que tudo se vai resolver. Se a ética e a moral não forem colocadas em primeiro lugar, não teremos êxito.

Em Portugal, o Presidente João Lourenço dizia que “somos 28 milhões e não há 28 milhões de corruptos”. A sua reflexão é neste sentido?

Estou absolutamente de acordo. É possível reverter certo tipo de comportamentos. Se a base do pensamento for a que enunciei e assim procedermos, estou convencido que todas análises que vierem a ser feitas, na cultura, na política, na economia, na educação, na comunicação social, ao nível das instituições judicias, serão certamete mais maduras. Mas isso exige um esforço de todos com olhar no horizonte na partilha de um destino comum. No fundo, no fundo, quando falo disso, estou a fazer apelo para um conhecimento antropológico mais consistente da realidade. E qualquer tipo de combate nesse sentido requer conhecimentos profundos de práticas morais onde a sociologia, a antropologia, a filosofia, a história e demais domínios do saber também são indispensáveis. De outra maneira, faremos um combate a partir do tecto e os efeitos serão devastadores.

Perfil.

LUÍS KANDJIMBU nasceu na cidade de Benguela, onde fez os estudos primários e secundários. Pertence à «geração literária das incertezas», a primeira que emerge após a proclamação a independência de Angola em 1975, destacando-se pela liderança teórica, crítica e doutrinária do Grupo Literário OHANDANJI, constituído em 1984, na cidade de Luanda, por estudantes universitários e membros do movimento associativo de jovens escritores cuja expressão era, na época, a Brigada Jovem de Literatura. Ensaísta e crítico literário, é membro da União dos Escritores Angolanos (UEA), Academia Angolana de Letras (AAL), Associação Internacional de Estudos Literários e Culturais Africanos (AFROLIC) com sede no Brasil e da Associação para o Estudo das Literaturas Africanas de Paris (APELA). Doutorado em Estudos de Literatura e Mestre em Filosofia Geral pela Universidade Nova de Lisboa, presentemente é Director Geral do Instituto Superior Politécnico Metropolitano de Angola, exercendo igualmente a docência de disciplinas como Filosofia do Direito, Argumentação e Hermenêutica, Crítica da Narrativa Audiovisual. É professor dos Cursos de Pós-Graduação da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto e da Academia de Ciências Sociais e Tecnologias. Integra o Comité Científico Internacional da UNESCO para a Redacção dos volumes IX, X e XI da História Geral de África e é membro da equipa de investigadores do Instituto de Estudos Literários e Tradição da Universidade Nova de Lisboa. Tem a colaboração dispersa por diversas obras colectivas e publicações periódicas estrangeiras arbitradas por pares em vários países, tais como Alemanha, Áustria, Brasil, Espanha, Estados Unidos da América, França, Marrocos, Moçambique, Nigéria, Rússia e Portugal. Publicou: APUROS DE VIGÍLIA (Ensaio e Crítica), UEA, 1988; APOLOGIA DE KALITANGI (Ensaio e Crítica), Luanda, INALD, 1997; A ESTRADA DA SECURA (Poesia) (Menção honrosa do Prémio Sonangol de Literatura), Luanda, UEA, 1997; O NOCTÍVAGO E OUTRAS ESTÓRIAS DE UM BENGUELENSE (Contos) Luanda, Nzila, 2000; DE VAGARES A VESTÍGIOS (Poesia), Luanda, INIC, 2000; IDEOGRAMAS DE NGANDJI (ensaio), Novo Imbondeiro, Lisboa, 2004; ENSAIOS PARA A INVERSÃO DO OLHAR. Da Literatura Angolana à Literatura Portuguesa, Luanda, Mayamba Editora, 2011; IDEOGRAMAS DE NGANDJI (ensaio), Triangularte Editora, Luanda, 2013; ACASOS & MELOMANIAS URBANAS (Estórias), Editora Acácias, 2018.