Instabilidade interna “afecta” estrutura política da CASA-CE

Dois dos seis partidos da coligação rejeitam subescrever a carta de exclusão do presidente, André Mendes de Carvalho “Miau”, enfurecendo a maioria

Luanda /
11 Fev 2021 / 11:19 H.

Um grupo ligado à liderança da Convergência Ampla de Salvação de Angola – Coligação Eleitoral (CASA-CE) pretende forçar a saída do Bloco Democrático (BD) daquela associação política, contam membros independentes contactados pelo Vanguarda.

A acusação dos membros (independentes) filiados à terceira maior força política consiste no facto de alguns altos dirigentes da CASA-CE espalharem a informação de que o Bloco Democrático (BD) vai participar das eleições gerais de 2022 fora da coligação e está em negociações avançadas para a integração de Abel Epalanga Chivukuvuku.

Filomeno Vieira Lopes, um dos dirigentes do BD, em declarações ao Vanguarda, desmente a informação (supostamente) veiculada por alegados dirigentes da CASA-CE. “Nada temos decidido sobre a continuidade ou saída do Bloco Democrático da CASA-CE, nem sequer o Conselho Nacional do BD tenha reflectido sobre este assunto”, disse

Filomeno Vieira Dias, que também desmente a possibilidade de Abel Chivukuvuku ingressar nas fileiras daquele partido, apesar de ser um activo político a ter em conta. O Bloco Democrático vai realizar a convecção nacional em Abril deste ano, neste conclave, disse, será traçada a estratégia daquele partido para os próximos quatro anos, ainda assim fica difícil afirmar que o conselho nacional (órgão superior do BD) discuta o assunto.

“A responsabilidade da informação é de quem a tornou pública”, desabafou o político e docente universitário. Também cabe ao conselho nacional, explica, apreciar o desempenho do BD dentro e fora da coligação criada, a 03 de Abril de 2012 (quatro meses antes das eleições gerais). inicialmente estava constituído por um quarteto de partidos políticos (PALMA, PPA, PNSA e PDDA-AP), no ciclo eleitoral seguinte (2017) ajuntaram-se o PDPA-ANA e o BD, perfazendo seis. Abel Chivukuvuku foi o mentor do projecto.

A saída do BD da CASA-CE, afirmou ao Vanguarda um dos membros independentes, começou a ser equacionada em 2019 quando o partido de Filomeno Vieira Lopes contrariou a expulsão de Abel Chivukuvuku da coligação, ao não subescrever a carta que ditava a exclusão do líder e ideólogo daquela formação.

Passados quase três anos, disse a fonte, a mesma situação repete-se. “O BD está a ser malvisto no seio da liderança da CASA-CE por não subescrever a carta de expulsão do presidente, André Mendes de Carvalho Miau”, disse.

O PADDA também é contra a exclusão do líder que se vai pronunciar sobre o assunto na próxima sexta-feira (05.03.2021), assegurou a fonte.

Apesar dos vários desmentidos, a fonte acredita no regresso de Abel Chivukuvuku à CASA-CE, alegando que “em política tudo pode acontecer”.

Alexandre Sebastião, presidente do Grupo Parlamentar da CASA, contacto pelo Vanguarda, mostrou-se pouco abalizado para falar sobre o assunto e indicou Manuel Fernandes, vice-presidente da coligação que foi prudente na abordagem do tema, tendo desmentido o regresso de Abel Chivukuvuku e uma possível instabilidade política.

O Vanguarda tomou conhecimento que os partidos que compõem a CASACE, excepto o BD e PADDA, vão destituir André Mendes de Carvalho da presidência e em substituição será eleito Manuel Fernandes, líder do PALMA.

Manuel Fernandes seria então substituído por Abel Chivukuvuku que encabeçaria a lista da CASA-CE nas eleições gerais de 2022. O presidente do PALMA desmentiu esta hipótese, mas alguns militantes da coligação confirmam, pois acreditam no retorno do ex-líder três anos depois.