General “Dino” ouvido ontem durante 7 horas

O general Leopoldino do Nascimento “Dino” foi ouvido, recentemente, durante 7 horas, na Direcção Nacional de Investigação e Acção Penal (DNIAP) da Procuradoria-Geral da República (PGR), enquanto o general Hélder Vieira Dias Júnior “Kopelipa” tem a audição prevista para hoje.

Luanda /
14 Out 2020 / 12:59 H.

O antigo chefe das Comunicações do ex-Presidente José Eduardo dos Santos, Leopoldino do Nascimento “Dino”, e o ex-ministro de Estado e chefe da Casa Militar, Hélder Vieira Dias Júnior “Kopelipa”, respondem por haver fortes indícios de terem beneficiado dos negócios que o Estado teve com a empresa China International Fund (CIF), no âmbito do extinto Gabinete de Reconstrução Nacional (GRN).

Segundo a Rádio Nacional de Angola (RNA), Leopoldino do Nascimento chegou à DNIAP por volta das 9 horas, acompanhado dos seus advogados. Começou a ser ouvido logo depois, até perto das 16 horas.

Uma fonte ligada ao processo garantiu que os dois antigos auxiliares do ex-Presidente da República terão devolvido alguns activos ao Estado.

Ambos foram constituídos arguidos há duas semanas e notificados para interrogatório, inicialmente previsto para terça-feira passada, mas adiado a pedido da defesa.

À saída da audição, o advogado Sérgio Raimundo não prestou qualquer declaração à imprensa, “temendo” uma eventual punição da Ordem dos Advogados de Angola (OAA). “Não dá [para falar], a OAA agora está muito rígida”, disse o advogado, já no interior da sua viatura.

Para não serem vistos pelos órgãos de informação presentes no local, a viatura do advogado transportou ambos os generais desde a cave do edifício e à saída, já no portão, a viatura evitou os olhares dos jornalistas e dirigiu-se em sentido contrário.

Os oficiais generais gozam de imunidades e não podem ser presos preventivamente antes do despacho de pronúncia, excepto em flagrante delito, por crime doloso punível com pena de prisão superior a dois anos.

Em Fevereiro, a PGR anunciou a apreensão dos edifícios CIF Luanda One e CIF Luanda Two, localizados na baixa de Luanda, em posse da empresa chinesa de direito angolano China International Fund Limitada (CIF).

Os edifícios foram apreendidos no âmbito da Lei sobre o Repatriamento Coercivo e Perda Alargada de Bens e da Lei Reguladora das Revistas, Buscas e Apreensões. O Ministério da Construção e Ordenamento do Território foi constituído como fiel depositário.

Foram, igualmente, apreendidos mais de mil imóveis no condomínio Vida Pacífica e no Kilamba, construídos com fundos públicos, mas que estavam em posse de entidades particulares.