Frente comum da oposição para derrube do MPLA ganha força

UNITA, Bloco Democrático (BD) e o projecto PRA-JA Servir Angola acusaram o MPLA, de “pretender mergulhar Angola num caos, comprometendo conquistas políticas e socioeconómicas”, lamentando a “crise e a limitação das liberdades”.

Luanda /
24 Fev 2021 / 11:38 H.

Os líderes da UNITA, Adalberto Costa Júnior, do Bloco Democrático, Justino Pinto de Andrade e o Coordenador Geral do PRA -JÁ, Abel Chivukuvuku, emitiram esta semana uma declaração conjunta, onde alertam o Executivo para que reveja a sua estratégia de combate à corrupção e de governação.

Da declaração conjunta ficaram de fora a coligação eleitoral CASA-CE, o partido de Renovação Social (PRS) e a Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), este último distante dos holofotes das acções da oposição nos dias que correm.

Contactados pelo Vanguarda, o presidente da CASA-CE, Manuel Fernandes, diz que não foram convocados mas ressalva que o líder da UNITA o informou que “a concertação entre os três para aquela conferência já vem de algum tempo, muito antes do novo contexto na CASA-CE”.

Por sua vez, o líder do PRS, Benedito Daniel, assegurou que não foi notificado, mas afasta, desde já, a estratégia de exclusão e relembra que, recentemente, o seu partido participou em acções conjuntas com a UNITA aquando dos acontecimentos de Cafunfo. “Acho que foi uma acção do momento”, desdramatiza.

No entanto, a declaração conjunta adverte ainda o Executivo para que, não “adormeça” na recuperação de empreendimentos já falidos, que apenas agregam custos ao Orçamento Geral do Estado (OGE), deixando de fora os largos milhares de milhões roubados a todos.

“É urgente dar corpo a Alta Autoridade Contra a Corrupção e Contra a Impunidade, independente e subtraída do controlo partidário”, diz o porta-voz da UNITA, Marcial Dachala, que leu a declaração conjunta tripartida.

Sobre a limitação das liberdades, a declaração faz menção aos recentes acontecimentos de Cafunfo, referindo que “cidadãos são mortos simplesmente por terem saído à rua, à luz do dia, sem armas, para exigirem os seus direitos”. Na sua alocução, o porta-voz da UNITA, afirmou que os actos de terror praticados no Cafunfo manifestam a incapacidade do do MPLA construir a “democracia e a unidade da nação”, comprometendo o respeito pelos direitos, liberdades e garantias estabelecidos pela Constituição.

A declaração conjunta acusa o governo de pretender implementar uma estratégia que tem como objectivo a criação de um clima de terror e de caos generalizados no País, para encontrar bodes expiatórios ou justificações dos seus fracassos.

Uma frente comum

Assim, face às reiteradas injustiças e à clara regressão do processo democrático protagonizada pelo partido no poder, a UNITA, BD e PRA-JA defendem a necessidade de dar maior ímpeto a luta dos angolanos para a democratização real do País e para uma efectiva cultura política que respeite a vida, a dignidade, a Constituição e a lei. “Nós os signatários da presente declaração, proclamamos e anunciamos, solenemente, à opinião pública nacional e internacional, a nossa franca e resoluta predisposição de integrar e coordenar o esforço comum participado por todas as forças patrióticas, singulares e colectivas, para mudar a situação do nosso país, no sentido da democracia efectiva, das liberdades e do desenvolvimento económico e social das comunidades e dos cidadãos”, anunciaram.

A proclamação solene, segundo os seus subscritores acontece num momento singular da “nossa exstência”, enquanto País independente e soberano, carente de mudanças conducentes ao desenvolvimento.

Um atentado grave

A promoção do discurso xenófobo e de laivos racistas pelo Bureau Político do MPLA e a sua propaganda hostil contra o líder da UNITA, inseridas na estratégia de combatê-lo até à exaustão é um grave atentado aos fundamentos da cidadania angolana, diz a declaração conjunta tripartida, que defende uma “Angola democrática, Unida e Inclusiva”.

O discurso xenófobo, sustenta o documento, deve ser encarado com a seriedade que merece por todas as forças vivas da sociedade interessadas na preservação de uma Angola unida, multirracial, multicultural e multietnica. “Tal discurso é um retrocesso repugnante, na via da democratização de Angola”, alerta a declaração.

Urge Justiça independente

Os signatários consideram ainda imperioso que a Justiça assuma uma posição independente e auto-dignificante. “Repudiamos veementemente as posições que façam coro com o mote do poder político, segundo o qual Cafunfo foi um acto de rebelião armada”, condenaram.

Para aqueles líderes políticos, o sistema de Justiça não deve fingir-se de mudo face às denúncias de um ex-governador do BNA sobre a compra da fidelidade de alguns juizes dos tribunais superiores através de entregas de elevadas somas em divisas, pelo BNA, no exclusivo cumprimento de ordens superiores ilegais.

“Os angolanos merecem e esperam que, com verdade, lhes seja dito quem são os juízes que, com favores do Executivo, levantavam avultadas somas no Banco Nacional de Angola, dando corpo à corrupção na justiça e a subjugação dos tribunais pelo Executivo”, exigiram.

Com a UNITA no leme, verifica-se de um tempo para cá, acções conjuntas dos partidos políticos na oposição – uma frente comum cujo mote é derrubar o MPLA, partido no poder, nas eleições gerais de 2022.