Cumpridas 6 recomendações da ONU sobre Mbanza Kongo
Angola cumpriu seis das sete recomendações submetidas pelo Comité do Património Mundial da UNESCO, para a valorização do centro histórico de Mbanza Kongo, declarado Património Mundial da Humanidade em 2017.
A constatação vem no projecto de relatório sobre a implementação das recomendações da UNESCO para o sítio de Mbanza Kongo (vestígios da antiga capital do Reino do Kongo), que foi apreciado, ontem, na primeira reunião extraordinária da Comissão Nacional Multissectorial para a Salvaguarda do Património Cultural Mundial, orientada pelo Vice-Presidente da República, Bornito de Sousa.
Depois de aprovado pelo Titular do Poder Executivo, o relatório vai ser remetido, até 1 de Dezembro próximo, ao Centro do Património Mundial da UNESCO.
Segundo o comunicado da reunião, a UNESCO tinha recomendado a remoção das antenas do centro histórico, desactivação da pista do actual aeroporto, confirmação do funcionamento do Sistema de Gestão Transversal, aprovação do Regulamento do Plano Urbanístico, elaboração de uma Estratégia de Gestão do Turismo e elaboração dos indicadores de monitorização precisos na base do Valor Universal Excepcional.
Todas as recomendações foram cumpridas, com excepção da desactivação do aeroporto de Mbanza Kongo, localizado no centro histórico, que tem provocado impacto sobre o património edificado, sempre que há voos.
Segundo a secretária de Estado da Cultura, Maria da Piedade de Jesus, não é possível retirar o aeroporto de Mbanza Kongo, enquanto o novo, a ser construído a 32 quilómetros do centro da cidade, na zona do Kiende 2, não estiver concluído.
Em declarações à imprensa, a responsável esclareceu que já foi feita a desminagem do terreno que vai acolher o futuro aeroporto. Há, inclusive, a certificação, que vai ser anexada ao relatório, para mostrar que o trabalho está em andamento.
A secretária de Estado fez, igualmente, referência ao decreto que autoriza a abertura do concurso público para a construção do novo aeroporto, que vai servir de certificação que o Estado angolano está preocupado e interessado em retirar as instalações tão logo sejam concluídas as obras.
Remoção das antenas
A secretária de Estado da Cultura explicou que as antenas, que pertenciam às empresas Unitel, Angola Telecom e Rádio Nacional de Angola, já foram removidas.
A antena da Unitel, disse, foi substituída por uma do tipo palmeira, ainda em 2017, as outras duas foram igualmente desmontadas e uma outra foi posta fora da zona tampão e retirada.
O relatório foi elaborado tendo em conta o anexo 13 do Comité do Património Mundial, que determina a apresentação, por Angola, de uma informação sobre a implementação das recomendações ao Centro do Património Mundial.
O documento está dividido em três partes e espelha o ponto de situação de Mbanza Kongo. A primeira apresenta as repostas do Estado-parte às recomendações do Comité do Património Mundial. A segunda fala sobre os problemas relacionados com a conservação de alguns bens que integram o sítio histórico, designadamente "Kulumbimbi, Yala Nkuwu” e as fontes de água.
A terceira parte aborda questões adicionais, relativas às novas construções, obras e outras intervenções sobre alguns bens que podem afectar o Valor Universal Excepcional do sítio.
Escombros de Ondjiva
Na reunião de terça-feira, a Comissão Nacional Multissectorial foi informada sobre a situação dos escombros de Ondjiva, resultantes dos bombardeamentos sulafricanos à cidade, em Agosto de 1981.
A Comissão recomendou a sua classificação, preservação e transformação em lugar de memória, a exemplo de outros monumentos mundiais. Segundo o comunicado, os escombros de Ondjiva são um importante marco da solidariedade de Angola à luta histórica e transnacional contra a segregação racial e social (apartheid) do então regime sul-africano.
O vice-governador do Cunene para os Assuntos Políticos, Económicos e Sociais, Apolo Ndinoulenga, disse que os escombros oferecem algumas inconveniências, com destaque para a descaracterização do edifício e segurança, porque as pedras podem desprender-se das outras e danificar o edifício.
Apolo Ndinoulenga disse que a maneira como o edifício foi destruído com engenhos explosivos, requer uma avaliação das equipas de desminagem.
Para o efeito, acrescentou, será constituída uma comissão multissectorial que vai se deslocar a Ondjiva para, em conjunto com o Governo provincial e a comunidade, definir o funcionamento das coisas.
Grupo de Dança
O Vice-Presidente da República, Bornito de Sousa, recebeu, em audiência, o grupo de dança "Fenómenos do Semba”, que ficou conhecido mundialmente com a viralização da coreografia ao som da música Jerusalema Ikayalami do Dj sul-africano Master KG.
Adilson Maiza, um dos integrantes do grupo, professor de dança e formado em Engenharia Aeronáutica, mostrou-se honrado e valorizado pelo trabalho que têm desenvolvido em prol da cultura angolana.
"Sempre dancei, mas nunca pensei que fosse ser reconhecido pelo Vice-Presidente da República e não esperava que o vídeo fosse ter repercussão internacional e viralizasse”, sublinhou.