Angola-Alemanha: cooperação estagnada há dez anos

Actualmente não existe investimento alemão de relevo em Angola.

Angola /
07 Fev 2020 / 15:00 H.

Desde 2009 que se relançou a cooperação bilateral entre Angola e Alemanha, nos domínios político e comercial, as intenções de investimentos resultaram num fracasso. Actualmente, não existe investimento alemão de relevo em Angola.

A revelação é do Presidente João Lourenço aquando da conferência de imprensa com jornalistas, angolanos e alemães, realizada hoje, no Palácio da Cidade Alta, em Luanda, no âmbito da visita da Chanceler Angela Merkel ao nossos País.

João Lourenço preferiu não avançar com os detalhes do que terá impedido o avanço de um forte interesse alemão para realização de investimentos expressivos em Angola.

Vanguarda apurou que a falta de transparência no ambiente de negócios em Angola, na última década, derivada da bruta corrupção e impunidade, afastou investidores germânicos e levou ao desinvestimento nalgumas situações concretas.

O Presidente angolano disse que terá valido a pena a coragem do seu Executivo para dar início às reformas em curso, com realce para o combate contra a corrupção e a impunidade. “É um processo complexo, tem o seu tempo de maturação, já há resultados, mas o processo vai prosseguir”.

A Chanceler alemã disse que do ponto de vista político muita coisa já está feita, o que proporciona certa tranquilidade aos investidores do seu país para aportarem capitais para Angola, apontando a implementação do imposto de valor acrescentado (IVA), no nosso País, como uma das medidas acertadas de várias que incluem as reformas políticas e económicas em curso.

Recorda-se que João Lourenço deu garantias para investidores do país de Merkel, quando em Agosto de 2018 esteve na Alemanha em visita de Estado e participou no Fórum Económico Angola-Alemanha, que as reformas eram sérias e Angola nunca mais voltaria a ser o País arrolado internacionalmente com altos níveis de corrupção, impunidade e nepotismo.

O último Índice de Transparência Internacional, divulgado recentemente, informa que Angola superou 19 posições quanto a percepção de País menos corrupto, figurando na posição 146 de um total 180 países - com 26 pontos -, contra a posição 165 do estudo de 2018 realizado também com 180 países.

A pontuação varia de 1 a 100, no índice. Quanto menores os valores de pontuação, mais corrupto é o país, quer nas suas instituições públicas, quer nas privadas, bem como no próprio governo. O inverso, quando a pontuação se aproxima de 100, implica dizer que o país é dos menos corruptos do mundo.

Os cinco países menos corruptos do mundo, no Índice de Transparência Internacional 2019, seguindo o padrão de pontuação, do topo para a base, são Dinamarca (87), Nova Zelândia (87), Finlândia (86), Singapura (85) e Suécia (85), ao passo que os cinco países mais corruptos do mundo são Somália (9), Sudão do Sul (12), Síria (13), Iémen (15) e Venezuela (16).