“Agora criámos uma coligação onde prevalece a vontade dos partidos políticos”

O líder parlamentar da CASA-CE, Alexandre Sebastião, garante que a crise na coligação já passou. Quanto à governação, deu nota negativa ao combate à corrupção.

Angola /
17 Jul 2019 / 11:21 H.

como está a vida da CASA-CE depois da crise?

Depois daquele ciclone, a CASA-CE recuperou-se consideravelmente e está boa. Restaurou todos os órgãos, tanto central como locais. A nova direcção também já sensibilizou aqueles que ainda duvidavam da permanência da coligação. Podemos afirmar que a CASA CE está pronta para os desafios vindouros.

Além da saída de Abel Chivukuvuku, quais as grandes transformações que ocorreram?

Antes, a CASA-CE tinha vários órgãos decisórios equivalentes a um partido. E o pior de tudo é que todas as deliberações e decisões tomadas não tinham nenhum beneplácito dos partidos políticos. Agora, criámos de facto uma coligação, onde prevalece a vontade política dos partidos. Acabámos com os órgãos inerentes aos partidos, nomeadamente o conselho presidencial, que era um conjunto de 50 membros. Acabámos com o conselho nacional deliberativo, uma espécie de comité central, onde tudo se decidia e era vinculativo. O pior de tudo é que nesses órgãos os que influenciavam eram indivíduos que não estavam ligados a nenhuma formação política.

Os independentes?

Na CASA-CE não temos militantes independentes, mas, sim, militantes que não estão filiados em partidos políticos. Nesta condição temos o presidente da coligação, a vice-presidente, o secretário executivo nacional, entre outros. Os partidos políticos têm hoje responsabilidades acrescidas perante a coligação, o que não acontecia. Antes, os partidos tinham as portas fechadas, não tinham espaço e eram maltratados. Eis a razão da crise. Mas hoje temos uma coligação coesa, mais disciplinada, que marca passos com segurança. Não é uma coligação que se vê pelos factores externos, prejudicando os componentes internos.

Quais são esses factores externos?

A busca de melhor simpatia fora da organização, mas destruindo as componentes internas. Mostrarmos que somos bons ou grandes, mas internamente somos ocos. É como dizia óscar Ribas: “Luxo na almofada, mas farrapos por dentro”.

Hoje as coisas estão invertidas, a posição do presidente da coligação é a mais fragilizada em relação aos partidos políticos, que podem reunir-se e decidirem pela saída do presidente.

Mesmo em relação a antes, não há diferença nenhuma. Suportamos esse período todo a procurar moldar, pôr em conformidade a acção do antigo presidente. Se em 2013, 2014 e 2015 os partidos políticos chegassem ao entendimento para mudar o presidente, teríamos feito. Mas estávamos no momento de conquista e implantação, não podíamos de modo algum fazer estas mudanças. Os trabalhos que os partidos políticos tinham na altura, era de reclamar permanentemente à direcção para dar voz e virar-se também aos partidos políticos o que não era aceite. Nem se queria ouvir os partidos políticos. O actual presidente tem todos os poderes, inerentes ao definido pelo colégio que não se diferencia com os poderes que o presidente teve, excepto o excessivo egocentrismo que é quase um apanágio do presidente que saiu. Portanto, ele tem todos os poderes.

Mas, o Tribunal Constitucional coloca-o numa posição de mero coordenador...

Ele é coordenador do colégio presidencial e, concomitantemente, presidente da coligação. Colégio presidencial é o conjunto de várias individualidades que formam um todo que preside uma coligação.

Há um áudio na internet em conversa com uma senhora, segundo o qual pretendia destruir a CASA-CE. Como é que se explica esse áudio? Ouvi perfeitamente. Sabes que há crimes cibernéticos e esse é um dos crimes. Mas eu não fui para aí, para não me desviarem do foco. você já viu um dos membros constituintes de uma organização procurar destruí-la? Se fosse para a destruição, não estaria aqui.

Ouve-se no áudio a dizer que se brincarem eu vou destruir...

Não, não. Eu também acompanhei o áudio, mas não, de modo alguma. Esta é uma falácia maliciosa, criminosa, daqueles que fizeram a publicação para poderem conquistar a sensibilidade daqueles que ainda me davam razão durante as discussões sobre a vida da coligação.

Mas isso parou na Voz da América.

Sim. Parou em tudo. Disseminaram isso nos quatro cantos do mundo, mas isso não me abalou, porque eu depois fiz uma leitura do escopo dessa publicação do áudio. Era para me desmoralizar, ter impacto na família e consequentemente os militantes da CASA e dos membros constituintes, revoltarem-se contra mim, mas isso caiu em saco roto. No próprio áudio não se ouve isso, aliás, vocês são activos na vida social e dão conta que o Asa (Alexandre Sebastião) não é para destruir a CASA-CE, antes pelo contrário, é para consolidá-la.

Então nunca teve esse plano de destruir a coligação?

Não. Aquela pregação de que o Asa quer destruir a CASA-CE, é justamente para que todos o militantes estivessem contra mim. E como sabe, até houve manifestações, a procurarem o Asa, com instrumentos contundentes. Fui dos melhores conselheiros do Abel, mas ele sempre negou os meus conselhos.

Tem noção da desilusão das pessoas que depositaram confiança à CASACE?

Se um ou outro cidadão está desiludido, acho que já alterou essa desilusão. As pessoas sabem que numa organização surgem essas pequenas crises de funcionamento. O que tivemos não foi uma crise de liderança, mas uma crise de funcionamento, onde o líder só corria sem olhar atrás. Eu aprendi com o meu pai, quem corre só olhando à frente, fica.

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