Acontecimentos do 27 de Maio assombram Zé Maria

Fernando Miala encontrou resistência do ex-colega da secreta militar que se sentiu desobrigado a comparecer no SINSE, onde seria ouvido, por não ser subordinado dele

Luanda /
12 Set 2019 / 19:42 H.

O ex-director dos Serviços de Inteligência e Segurança Militar (SISM), António José Maria, recusou-se a comparecer nas instalações dos Serviços de Inteligência e Segurança do Estado (SINSE) por temer que tivesse o destino que muitos angolanos tiveram no 27 de Maio de 1977, alegou defesa do também general na reserva, na primeira sessão do julgamento, no Tribunal Supremo Militar (STM), em Luanda.

Depois de exonerado, em Novembro de 2017, José Maria apropriou-se de documentos com informações classificadas, a respeito da batalha do Cuito Cuanavale, que custaram ao Estado angolano cerca de 2,5 milhões USD.

Face à importância do acervo militar, o Presidente da República, João Lourenço, nas vestes de Comandante-em-Chefe das FAA, orientou Fernando Garcia Miala, director do SINSE para tratar do assunto. Mas, encontrou resistência do ex-colega na secreta, que se sentiu desobrigado a comparecer no local por não ser subordinado de Miala.

Por se negar a comparecer no SINSE (insubordinação), José Maria propôs um outro encontro no Jango Veleiro, Ilha de Luanda, mas acabou por aconteceu na viatura dele.

No encontro, o general na reserva recusou-se a entregar os documentos, alegando que só faria com a orientação do ex-Presidente da República, José Eduardo dos Santos.