Uma decisão que se impõe!

Luanda /
15 Jun 2020 / 13:40 H.
Estevão Martins

Ao admitir a possibilidade da anulação do ano lectivo 2020, cujo reinício está inicialmente marcado para o próximo mês de Julho, devido a falta de condições de biossegurança, nas escolas do País, a ministra de Estado para a Área Social, Carolina Cerqueira, deixa claro que existe um alto risco de contágio e de disseminação da COVID-19, caso as aulas recomessem nas actuais condições em que se assiste uma continua subida da espiral de casos positivos em Luanda, epicentro da pandemia no País.

Embora o regresso às aulas esteja condicionado à evolução da situação epidemiológica da enfermidade, conforme determina a declaração do Estado de Calamidade Pública em vigor no País, desde o finado dia 26, é dado assente que as escolas podem ser um grande foco de transmissão da COVID-19, numa altura em que o País se encontra a um passo da transmissão comunitária, como referiu há tempos a ministra da Saúde, Sílvia Lutukuta.

Essa afirmação da titular da pasta da saúde, na verdade, é hoje questionada, pelo facto de haver fortes indícios da existência de casos de transmissão comunitária. Apenas a tão propalada testagem em massa, que teima em chegar, pode certificar ou não.

Em função da vulnerabilidade e da falta de noção de perigo das crianças, que pode colocar em risco as suas vidas e muitos adultos, o Simprof defendeu o reinício das aulas no próximo mês de Setembro, por forma a justar o ano lectivo ao calendário da UNESCO, que aliás já vigorou no País.

O entrevistado da ‘Grande Entrevista’ desta edição do Vanguarda corrobora da opinião dos sindicalistas, notando que “talvez não fosse de dispensar a possibilidade de um calendário alternativo a começar em Setembro com término em Junho, para posteriormente, se voltar gradualmente ao calendário normal que existia”.

O entendimento de José Octávio Serra Van-Dúnem advêm do facto de a pandemia ainda estar em curso e seu desfecho incerto. Mas para já, a pretensão de se ouvir os pais dos menores, encarregados de educação e sociedade civil sobre o binómio aulas vs COVID-19 é nota positiva, na medida em que está em causa a salvaguarda da vida humana diante de um inimigo comum e invisível.