Uma conversa para boi dormir

05 Abr 2021 / 11:49 H.
Agostinho Rodrigues

No âmbito da aquisição de gado pelo Executivo a República do Chade para o repovoamento do planalto de Camabatela, que compreende as províncias do Cuanza-Norte, Uíge e Malanje, as autoridades da Agricultura e Pescas previam beneficiar criadores do planalto e do Cuanza-Sul.

Até aqui o projecto estava muito bem estruturado – muito bem pensado pela sua abrangência, ou seja, previa não só atender os grandes empresários mas sobretudo também as famílias de criadores no âmbito do combate à fome e à pobreza.

Em cinco anos o País estaria a distribuir pelo menos 75 mil cabeças de bovinos, sendo que 60% (45 mil) seriam para os empresários e os restantes 20% (30 mil) ficariam para as famílias de criadores.

O que é facto, o processo não andou, ou seja, se alguns benefici-aram do processo terão sido escolhido a dedo, cujo critério de atribuição deverá ser questionado.

É provável, como tem sido hábito no nosso País, que meia dúzia de indivíduos, uns “chicos espertos” tenham já abocanhado todo o negócio do gado do Chade, pois é estranha o silêncio das auto-ridades a respeito, o que grosso modo alimenta a especulação. Em que pé anda o processo, como é obvio, é uma das perguntas que não quer se calar. Haja transparência, meus senhores!