Um calendário ajustado à Europa

12 Out 2020 / 14:08 H.
Agostinho Rodrigues

Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC). Angola até prova em contrário era dos poucos senão o único País com ano escolar distinto da SADC, que se ajusta não só a África Austral mas sobretudo também a Europa, estratégia que deverá ir ao encontro das preocupações e necessidades dos pais de ambos os países na programação de viagens de férias, de turismo, entre outros benefícios para os filhos e não só.

É pois salutar quando o Executivo “anda de mãos dadas” com os parceiros no âmbito da governação participativa na medida em que não fazia sentido a estratégia do Executivo de fazer “ouvidos de mercador” diante de uma realidade e de sugestão do SINFROF e outros actores sobre a alteração do calendário escolar com o começo em Setembro a Junho, dez anos lectivos.

A tónica positiva deste novo calendário escolar prende-se com a sua abrangência, ou seja, todos os níveis de ensino (instituições de ensino públicas, público-privadas e privadas com currículo oficial), para além de outros benefícios associados – o período lectivo, determina ainda os momentos solenes, as actividades escolares, de avaliação e os períodos de interrupções e férias.

Os benefícios são não só do SINPROF e outros actores da sociedade, mas uma vitória da cidadania, da luta reivindicativa, de sugestão de boas práticas.

É este deve ser o caminho para um País que deveria adoptar o consenso nos principais temas nacionais, evitando-se, assim as contestações e boicotes as decisões emanadas por não se referem nelas.

Num comunicado do secretariado nacional, intitulado “Contribuições sobre o Reinício das aulas”, datado de 20 de Maio de 2020, o SINPROF argumenta que “diferentemente do que se observa em outras partes do mundo onde o surto da Covid-19 está em sentido descendente, em Angola está-se em sentido ascendente da doença, sugerindo a ponderar sobre o reinício das aulas pelas informações que são passadas todos os dias pelas autoridades sanitárias.

O SINPROF sugeria também naquele mês ao Executivo a optar por um calendário escolar nacional com início em Setembro e término no mês de Junho como acontece noutras geografias, voltando assim ao modelo que já vigorou em Angola e que vigora em muitos países do mundo.

O sindicato dos professores acolhe com bom grado a decisão, pois na verdade, essa possibilidade já vinha sendo estudada sobretudo na região sul do País que se debate com cenários de absentismo, abandono escolar nos meses de Junho a Agosto devido a participação dos alunos nas cerimónias de puberdade, “Efiko” e “Ekuendje”, a transumância do gado, bem como o período de colheita nas lavouras que leva os pais e encarregados de educação a engajarem os seus educandos nessas tarefas.

Na visão do SINFROF de que nos socorremos, alguns diagnósticos feitos na região sul do País apontam que o regresso ao calendário escolar que tem início no mês de Setembro e término em Junho, pode ajudar a resolver essa problemática, para além, claro está da situação de desvantagem com que se debatem os bolseiros angolanos que vão frequentar cursos de graduação na Europa, na Ásia e na América. Normalmente, esses estudantes permanecem quase um ano de espera para serem integrados pelo facto dos nossos calendários escolares serem díspares.

Mais do que os cães ladrarem e a caravana passar, desta vez o Executivo procurou conciliar os diferentes interesses neste quesito na qualidade de ente do bem. Prevaleceu o consenso e o País sai a ganhar.