Sérgio Luther Rescova: transição geracional

Angola /
18 Mai 2019 / 17:27 H.
António Pedro

Sérgio Luther Rescova Jaoquim é novo primeiro secretário provincial do MPLA de Luanda. Substitui no cargo Adriano Mendes de Carvalho, actual governador do Cuanza Norte, ao ser eleito hoje, sábado, com 1418 dos votos (98% do total), na conferência provincial extraordinária para a eleição do líder do partido na capital e para alargamento do número de membros do comité central.

A sucessão no MPLA é um assunto polémi­co. Há muito se questiona se há ou não militantes com activo político capaz, entre a nova geração, para ajudar a segurar as rédeas do partido. O facto de a tradição do MPLA ser longa, ajudou a criar um vazio que impede enxergar que existe uma nova geração com capital político capaz de dar a volta.

Está evidente que dentro do MPLA há militantes com capacidades para assumir fun­ções de direcção a nível partidário.

Quando Sérgio Luther Rescova Joaquim foi nomeado pelo Presidente João Lourenço para governador de Luanda, Vanguarda antecipou-se ao facto em si prevendo, em análise, que o MPLA estava a apostar num jovem promissor com capital político e em forte ascensão para reconquistar a maior praça eleitoral, Luanda, num contexto adverso da conjuntura social derivada de crise económica fruto de gestão política menos prudente.

Aliás, o próprio presidente do MPLA reconheceu, recentemente, que o partido fora castigado nas últimas eleições gerais por erros do passado. Recordo que a UNITA e a CASA-CE, juntos, obtiveram mais votos em Luanda que o MPLA ao contrário do que aconteceu nas eleições de 2008 e 2012. Os camaradas têm três deputados pelo círculo eleitoral de Luanda e a UNITA, dois.

Reconquistar Luanda para liderar as autarquias em 2022 é o objectivo maior do MPLA, daí a aposta no antigo líder da juventude partidária para uma geografia com sete municípios e 32 comunas, porém, com mais de 8 milhões de habitantes onde 57,6 por cento é jovem – com força e poder de eleitor.

“Sim, as mudanças têm que ser feita. É preciso passar as coisas para a geração melhor preparada e, sobretudo, passar o testemunho para as gerações vindouras que estejam preparadas para assumir os destinos do país, com responsabilidade e um grande sentido de Estado”, dizia um académico ao Vanguarda.

Em qualquer gestão política longeva, há sempre um momento na vida em que acontece uma mudança geracional. É, assim, a lei da vida. Os desafios de há 30 anos não são os de hoje. Há novos valores e o MPLA precisa de modernizar-se para apostar em políticos com visão holística, disrupção política, para os próximos dez a vinte anos.