Rádio Nacional de Angola (RNA) e a ausência de Modelo Integrado para uma gestão eficiente e controlo da informação

Luanda /
13 Mai 2020 / 10:34 H.
Edgar Leandro Avelino

Enquanto cidadãos - ouvintes, precisamos compreender o serviço público de radiodifusão em Angola.

(...) e se a difusão das emissoras provinciais e mais rádios municipais, regionais e centros de produção tivesse uma atenção melhor?

Políticas e regras públicas, políticas e padrões técnicos, infovia pública, aplicações e serviços genéricos, Políticas do CA.

Ao contrário do que sucede com alguns comunicadores, relativamente ao meio radiofónico não encontramos muitas contribuições vindas do mundo académico sobre o serviço público de rádio em Angola.

É neste contexto que trazemos este artigo de opinião, como uma importante contribuição para a compreensão do sector público da rádio em Angola. O meu contributo académico procura a caracterização da rádio oficial em Angola – a nossa RNA.

Em oportuno momento, proporcionarei aos meus leitores uma visão que atravessa a história da radiodifusão pública em Angola até aos nossos dias, procurando caracterizá-la e enunciando os seus principais momentos e capitalizando as suas principais dimensões históricas enquanto rádio pública em Angola.

A Emissora Nacional contempla 38 canais de difusão espalhados pelas 18 províncias e alguns municípios e localidades. Tentarei abordar as principais questões relacionadas com o seu Modelo de Administração actual que conduziu a extinção da direcção que velava pelas mais variadas áreas de intervenção das rádios provinciais.

Existe um gabinete de coordenação das rádios provinciais, mas, sem estratégia e real funcionamento. A actuação é meramente editorial. Prevalece assim, a necessidade da existência ou retorno da administração para as rádios provinciais, pois, é a que mais teria tempo de corporizar da melhor maneira a génese funcional das respectivas estações sendo que, a relação vertical ajudaria mais rapidamente na solução das preocupações como: extensão do sinal para as zonas recônditas – a nossa RNA.

O levantamento documental, cruzado com outras contribuições teóricas, permitirão ao leitor tomar contacto com um conjunto de informações úteis para a compreensão da rádio do Estado em Angola e os propósitos iniciais deste artigo. Existe uma Administração de Conteúdos e Informação com a ausência (existente) de um gabinete de coordenação das rádios provinciais que deixou de ter expressão representativa e não tem capacidade de intervenção e decisão.

A preocupação concentra-se na qualidade dos serviços prestados pelas estações provinciais, na qual fomos habituados enquanto ouvintes (saudades das viagens de carro pelo país em 2008...) Verdadeiramente, a RNA era um instrumento neste desígnio, sempre fiel ao Estado.

Este artigo é, pois, o mote para se entender o papel da rádio, e em particular a rádio do Estado, num contexto actual. A RNA era, à época, assumidamente a voz do regime ao mesmo tempo que crescia em termos organizacionais e técnicos.

Isso era muito bem aproveitado para sublinhar o seu papel enquanto poderoso instrumento de propaganda.

Mas este foi, também, por outro lado, o período de sedução das vozes da rádio: Os ouvintes começavam a ter vontade de conhecer quem estava do outro lado do microfone.

Vivemos em um período de profundas mudanças, a par com as transformações por que o país atravessa. Na minha visão, a administração de marketing pode ser importante, mas, nunca a sua existência significar anular uma outra tão imprescindível como a, das rádios provinciais, municipais e centros de produção.

É bem verdade que as rádios provinciais ficaram esquecidas. Talvez a ausência de uma administração própria esteja na base.

As emissoras provinciais são meios de comunicação que assumem a intenção de actuar como media, de conseguir uma dimensão de comunicação de massa, devendo por isso sujeitar-se ao cumprimento dos deveres ético-legais inerentes à actividade jornalística; constituem um serviço financiado, entre outras possibilidades, pelos anunciantes ou pelos seus ouvintes, concorrendo com os novos media; pressupõem uma estrutura e uma organização, assegurando os seus serviços com uma continuidade no tempo.

Mas, a ideia de uma rádio de serviço público terá de lidar com algo bem mais difícil de resolver, como seja a sempre muita discutida influência política sobre a rádio pública.

As grandes transformações políticas e sociais em Angola, levam-nos também à integração num novo contexto mediático, dominado pelos grupos económicos e pelas novas tecnologias de informação, em particular a Internet.

As questões estratégicas são aqui encaradas como o mote para a reorganização da RNA, não apenas ao nível organizacional, o que implica os recursos humanos, mas também no que se refere à rentabilização das tecnologias: A aposta passa não só pela Internet ou marketing, mas também pelas condições de transmissão das emissão provincial.

Com algum cuidado, representamos a voz dos Comunicadores em contexto internacional.

Cabe-me lançar as linhas para uma reflexão mais alargada sobre as funções e o papel que uma rádio pública pode (deve) ter numa sociedade democrática e marcada pela emergência dos novos media. É um debate do qual a rádio, em particular a do sector público, precisa de ter.

Entre opinião, crónicas e ensaios esta é a minha visão.