Quem cala consente!

Luanda /
12 Out 2020 / 12:10 H.
Estevão Martins

As autoridades nacionais continuam mudas. Silenciosas. Sem tugir nem mugir ante os últimos acontecimentos envolvendo o braço direito do Presidente da República, que vê o seu nome arrolado num processo de favorecimento de contratos públicos a favor de um empresa da qual é titular.

Diz-se que quem cala consente e o silêncio tumular denota cumplicidade das instituições. Alguém escreveu, na semana passada, que João Lourenço está entre a espada e a parede: afastar Edeltrudes Costa abre um grave precedente, mantendo-o no Executivo desacredita a sua gestão. Entre partir e ficar, a última ideia parece ganhar forma, numa altura em que cresce a pressão sobre o Titular do Poder Executivo, inclusive com a convocação de manifestação em Luanda para o próximo sábado, a fim de forçar a exoneração do ministro e chefe do gabinete do Presidente da República.

A cobertura que se está a dar ao visado na reportagem da TVi põe em causa o famigerado programa de combate à corrupção e à impunidade em curso no País e dá azo a alegada selectividade dos alvos.

A dualidade de critérios no tratamento dos dois últimos casos (São Vicente/AAA e Edeltrudes Costa/EMFC é prova disso mesmo. No primeiro caso, anunciado em primeira mão pelo jornal Mercado desta casa, as reacções não se fizeram esperar e a informação foi replicada e difundida pela maioria dos órgão de comunicação social do País, culminando com a detenção do empresário. Neste último caso, as autoridades preferem fechar-se em copas, incluído os órgãos de informação do Estado.

A PGR finge desconhecer e não ter ouvido nada. Quem saiu em defesa da sua dama, mas como quem não quer peixe nem carne foi o Bureau Político do MPLA, que num comunicado divulgado no dia em que assinou o III aniversário da data de investidura de João Lourenço, ao cargo de Presidente da República, denunciou “a existência de campanhas de intoxicação movidas contra as instituições do Estado angolano e ao Presidente João Lourenço”, exortando-o a prosseguir a luta contra a corrupção.

O voto de confiança dado pelo comité executivo do M serviu para sacudir a água do capote, mas a verdade é que o PR fica cada vez mais fragilizado ao manter ao seu redor colaboradores mancomunados com actos de corrupção e de lesa-pátria. V