Mbânz’a Kôngo: um centro Científico-Turístico

Angola /
17 Jul 2020 / 15:19 H.
Patrício Batsikama

O dia 8 de Julho foi instituído feriado para a província do Zaire, visto que foi nesta ocasião que a UNIESCO proclamou Mbânz’a Kôngo como Património da Humanidade. Ao aprovar esse prestígio, o Comité da UNESCO fez saber as tarefas de casa: (1) mover as antenas da Unitel, (2) reorganizar sistema de drenagens por causa das águas das chuvas; (3) catalogar os aspectos culturais; (4) proteger a zona por preserva, etc.

Em tese, existe um Plano de Gestão do Centro Histórico Mbânz’a Kôngo, que constitui a primeira metodologia. Deveria, também, existir um comité de especialistas ligado, por um lado, às universidades locais (Angola, Congo-Brazzaville, Congo-Kinsâsa, gabão) que poderiam providenciar os seus melhores pesquisadores. Por outro lado, igualmente estabelecer uma ligação de gestão com a UNESCO e outros parceiros.

Por se tratar de um Património Cultural, todos os aspectos indicados devem merecer pesquisa e classificação. Mbânz’a Kôngo é um lugar de muita tradição, folclore e espírito. Mas convinha fazer de Mbânz’a Kôngo um “Centro Científico-Turístico”. Isso deve começar por criar um conjunto de acções: (1) criar uma Universidade de Mbânz’a Kôngo com relevância nos seguintes cursos: História, Arqueologia, Antropologia, Sociologia, Filosofia, Ciências Políticas, Ciências Jurídicas; (2) ter Centro de Estudos da África Central Ocidental que congrega quatro universidades, nomeadamente Universidade Agostinho Neto, Universidade de Kinsâsa, Universidade Marien-Ngouabi e Universidade Omar-Bongo; (3) associar o Turismo com a Universidade e publicitá-lo a partir de uma bienal ou trienal.

Fala-se do Festi-Kongo. Tudo bem. Mas não é proibido pensar além. Por que não pensar num Congresso Mundial sobre África Central Ocidental? Bienal ou trienalmente, ele reunirá centros de excelência na produção científicas oriundas de Europa, América, África e outros cantos. Esse Congresso irá tratar, a nível da produção científica, as questões ligadas às Ciências Políticas, Economia, Filosofia, História, Antropologia e Sociologia.

Por último, Património da Humanidade implica, também e sobretudo, criar infra-estruturas: Cidade de Mbânz’a Kôngo e juntar Modernidade com a Tradição. Por que não fazer uma centralidade melhor do que o Kilamba (de Luanda)? Ainda que assim se pense, importa realçar que a Aldeia não pode deixar de existir, pois conserva a Tradição. Ela é a fonte. Ela é a identidade. As suas características expõem uma angolanidade rizomática necessária no diálogo global.

Contudo, a ideia principal é estimular os investimentos externos. Mbânz’a Kôngo não tem apenas petróleo. Tem a sua Juventude. Desde sempre, a “pessoa é uma riqueza”. Precisa de ser integrada, mas na partilha das oportunidades geradoras de riquezas. Mbânz’a Kôngo é um espaço da “Cultura de Paz” que, além de reforçar o diálogo das diferenças, faz-nos reflectir sobre a integridade identitária.

Mbânz’a Kôngo é “nsâmb’a nzîla” (abriu o caminho) de outras propostas de sítios por classificar como Património da Humanidade. Pessoalmente, quero pensar em Cuito Cuanavale como próxima cidade Património da Humanidade. Virão outras propostas. Seria oportuno ganharmos boa experiência agora, e reinventarmos caminhos para o desenvolvimentos através da Cultura.