Fuga da crise pela União Europeia e EUA

Enquanto o sistema financeiro mundial acreditou na promessa americana, o FED, Federal Reserve, ou seja o Banco Central Americano, pôs a impressora do dólar a produzir tanto dinheiro quanto a economia americana, em pronunciado crescimento, necessitasse. Os EUA passaram a comprar tudo em troca de papel com o nome de dinheiro.

Angola /
11 Out 2019 / 01:21 H.
Pedro Cunha Neto

Dando sequência ao tema "As crises económicas e financeiras", do outro lado do Atlântico, lá onde a crise veio à luz do dia, o FED, congénere do BCE, seguiu por outras vias. Baixou as taxas de juro e deu luz verde para que o governo federal aumentasse os gastos públicos financiados por deficits orçamentais.

Na prática, abriu a bolsa e não obstante algumas cautelas em não salvar algumas instituições que tinham gerido mal os recursos próprios e alheios, como por exemplo o Banco Lehman Brothers, injectou no sector imobiliário e produtivo rios de dinheiro, retirando da falência a industria automobilística ( General Motors e Chrysler ) entre outros.

Verdade se diga que não tomou estas medidas sem a garantia de que o reembolso nas datas de vencimento, estava assegurado, quer nacionalizando quer intervencionando na gestão das instituições financiadas. Na gíria dos especialistas nestas matérias, a esta atitude se chama “expansão monetária“.

Sem aprofundar muito esta questão que bem merece uma análise reflectiva, que prometemos aflorar nas próximas semanas, constatamos que, por particularidades da economia e do sistema financeiro americano, o FED tem a impressora dos dólares sob seu controle e na medida em que se apercebe que a economia está a secar abre as condutas e inunda o mercado real. Problemas de contaminação, de inflação e de deficits, têm relevância muito limitada, porque o pais é sòmente um, assim como é um o orçamento federal.

Ao esmiuçar as formas como a União Europeia e os Estados Unidos da América abordaram a saída da crise, baseadas essencialmente na restrição versus expansão monetária, é lógico lançar os olhos sobre as medidas de politicas económicas e financeiras adoptadas dentro das nossas fronteiras.

Constatamos que o pacote de medidas está mais próximo do figurino da União Europeia, quando a nosso ver, observadas as proporções das diferenças das duas economias e “mutatis mutandis”, o roupeiro americano teria melhores alternativas.

Vejamos com algum detalhe as razões por que os dois maiores blocos económicos e financeiros, a União Europeia e os Estados Unidos da América, abordaram de forma diferente a saída da crise instalada em 2007 e 2008.

Comecemos pela União Europeia. Com o colapso do sistema de Bretton Woods, lembramos que era o mecanismo em vigor desde o fim da segunda guerra mundial, que tinha como coluna vertebral o dólar como moeda global e de reserva, ancorado no compromisso americano de todo o dólar em posse dos bancos centrais pudesse ser compensado com ouro, desde que o possuidor assim o requeresse.

Enquanto o sistema financeiro mundial acreditou na promessa americana, o FED, Federal Reserve, ou seja o Banco Central Americano, pôs a impressora do dólar a produzir tanto dinheiro quanto a economia americana, em pronunciado crescimento, necessitasse. Os EUA passaram a comprar tudo em troca de papel com o nome de dinheiro.

O sonho durou até que o Banco Central de França, no governo de Charles de Gaulle, começou a exigir ouro pela devolução dos papéis americanos que tinha como reserva.

O FED foi cumprindo com o acordo de cavalheiros, até que face, a perda de grandes quantidades de ouro o levaram a dar o dito pelo não dito. Em 1971, Nixon, então presidente dos EUA, suspendeu unilateralmente o acordo e o sistema colapsou.

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