Reforma da política no congresso

Luís Ayala dizia em Luanda que João Lourenço está a fazer do MPLA um partido do século XXI. Pode parecer repetitivo, mas o secretário-geral da Internacional Socialista sabia, com certeza, o que estava a dizer quando analisava partidos integrados na família da social-democracia nos quatro cantos do mundo.

Luanda /
14 Jun 2019 / 15:36 H.
António Pedro

Uma visão que vai ao encontro de um processo de reforma do próprio partido, embora de uma maneira extraordinária a julgar pela forma de entrada de novos membros ao Comité Central. A sucessão no MPLA é um assunto polémico desde há muito tempo. Há muito se questiona se há ou não militantes com activo político capaz de ajudar a galvanizar ainda mais o partido dos camaradas. Há um problema de fundo, que é o facto de a tradição do MPLA ser longa, o que ajudou a criar um vazio que impede enxergar que verdadeiramente existe uma nova geração com capital político capaz de dar a volta. Aquando da abertura do ano parlamentar em 2017, após as eleições gerais, Vanguarda destacou que a oposição, particularmente a UNITA, havia renovado a bancada com jovens políticos, enquanto o MPLA envelhecia a bancada. A questão em causa, na altura, era por que razão tal opção quando dados do Censo 2014 afirmavam que no País a população jovem representa 65 por cento do total de residentes entre as faixas etárias repartidos entre zero e 14 anos de vida e dos 15 aos 24 anos de idade. É um modelo comum e aceitável nas democracias mais evoluídas. Quanto a reforma da política no partido, em função da transição geracional, está evidente que dentro do MPLA há militantes com capacidades para assumir funções de direcção a nível partidário. Aos novos membros do Comité Central se pede ética e moral quando assumirem cargos no aparelho do Estado, no Governo.

Que não se deixem levar a ponto de misturarem a política com os negócios, um erro da velha guarda da política durante décadas, o que causou um atraso no desenvolvimento social, cuja factura poderá ficar para gerações vindouras se as reformas em curso não provocarem um verdadeiro rompimento com práticas más do passado e ainda visíveis. “Sim, as mudanças têm que ser feita. É preciso passar as coisas para a geração melhor preparada e, sobretudo, passar o testemunho para as gerações vindouras que estejam preparadas para assumir os destinos do país, com responsabilidade e um grande sentido de Estado”, dizia um académico ao Vanguarda.