E agora, quem será o próximo?

Luanda /
24 Jan 2020 / 10:54 H.
Estevão Martins

Esta semana começou de forma incomum, pelo menos no diz respeito a notícias sobre Angola, que está nas bocas do mundo.

Pelo que se tem memória, nem mesmo no tempo de guerra as notícias sobre Angola corriam o mundo a tamanha velocidade e em vários sentidos. O ‘game’ está de facto violento, como se diz na gíria. Num ápice, ou seja, num piscar de olhos, o País voltou a estar no centro das atenções pela negativa - mas diria também pela positiva. Pela negativa, porque mais uma vez o País fica exposto ao mundo por ter tido um sistema de governação que permitiu que uns tantos gatos pingados enriquecessem a custas do suor e do sofrimento da maioria, fazendo fortuna com a delapidação do erário público.

O Luanda Leaks é prova disso. A investigação do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ, na sigla em inglês) veio destapar o véu que encobria o pico da corrupção e da pilhagem em Angola. De alguém que disse ter entrado no mundo dos negócios vendendo ovos nas ruas de Luanda. O que está a acontecer com Isabel dos Santos (IdS) é reflexo da prepotência e da arrogância com que alguns sectores depreciaram o projecto do Executivo que visa o combate à corrupção e à impunidade. É o mesmo que dizer que não faltou aviso e que este cenário poderia ter sido evitado, caso fossem observados os princípios da lei de repatriamento de capitais. O arresto de contas de IdS e esposo deve ser considerado um sinal dos tempos, que deveria ter sido levado a sério. Já não se pode chorar pelo leite derramado, escreveu um analista, argumentando que Angola passou agora para a outra fase: a tal do repatriamento coercivo de capitais.

Aliás, quando o presidente Tshisekedi intercedeu junto de João Lourenço na questão do seu concidadão Dokolo, foi-lhe dito que houve um período de graça, em que todos aqueles que lesaram os cofres do Estado poderiam livremente trazer o dinheiro de volta. Agora, tudo é possível. Até o impossível, o jamais imaginado pode tornar-se realidade. O acto corajoso do ICIJ, que promete novas revelações nos próximos dias, apertando cada vez mais o cerco a IdS e pares, é prova de que ninguém está acima da lei e de que o combate à corrupção é mesmo uma realidade e cada caso será resolvido a seu tempo. E uma das questões que pairam no ar é: quem será a próxima vítima do Luanda Leaks ou do ICIJ?