Angola nos BRICS, a reflexão geoestratégica

Pensar o desenvolvimento de um país no muito longo prazo é obra para génios, doutos na política e na gestão.

China /
13 Set 2019 / 11:02 H.
António Pedro

Há uma reflexão que merece atenção. Em Novembro próximo vai decorrer uma cimeira dos BRICS, no Brasil. Este acrónimo de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul é do primeiro grupo multilateral criado e dirigido por países fora do eixo de países ocidentais e desenvolvidos, com o objectivo de influenciar a geopolítica e o mercado globais a partir da defesa e do direito dos países pobres e emergentes a participar em condições equitativas do desenvolvimento. É importante que Angola se faça representar ao mais alto nível nesta cimeira. As razões são enormes, porque, primeiro, é uma oportunidade para se aprofundar os laços económicos, no âmbito da cooperação bilateral e multilateral com os países membros do referido bloco político e económico. É uma oportunidade para se incentivar linhas de crédito disponíveis nos corredores promovidos pelas economias destes países para integrar nas iniciativas do governo angolano, principalmente as concentradas na agroindústria. Nisto, há um terceiro pilar que é extremamente relevante: marcar uma posição em defesa das diligências económicas e financeiras do Executivo junto das instâncias internacionais. Ora, Angola precisa de participar nesta cimeira tal e qual os fãs do Futebol Clube Barcelona precisam dos préstimos de Leonel Messi. É mais que estratégico criar corredores junto dos países dos BRICS para que influenciem uma relação mais estreita dos seus empresários com o sector privado angolano, independentemente dos problemas sociais que cada um destes países enfrenta. É normal! Todos os países têm os seus problemas. De um modo geral, o estado das economias destes países aconselha uma aproximação de Angola no plano multilateral.

Depois do passo dado por Angola para membro observador da francofonia, por que razão não arriscarmos como País para um pedido oficial de adesão aos BRICS com estatuto de membro observador? É preciso lançar sementes hoje para colhermos, entre o médio e o longo prazo, os melhores exemplos de governação que este bloco apresenta aos olhos do mundo. O sector produtivo destes países é uma grande alavanca para as respectivas economias com políticas de Estado que dão, cada vez, mais abertura a estrangeiros para investirem no quadro de reformas internas. É desta que vamos pedir adesão aos BRICS?