ENDEMET para a energia eléctrica

Angola é tão fértil em riscos para os investidores que é uma coisa doida. Até o bê-á-bá para atrair investimento estrangeiro nós ignoramos. Gostamos de coisas megalómanas, gostamos impressionar a comunidade internacional com acções que representam autênticos pés de barro de uma economia que se quer em betão maciço.

Luanda /
25 Jan 2020 / 08:00 H.
Quingila Hebo

A energia em Angola, mormente em Luanda, a capital económica, vai e vem sem aviso prévio. Quem aperta no botão de desligar não tem a menor noção dos prejuízos e da frustração que causa aos empresários. Aliás, nem sei se faz ideia que naquele momento que desliga a luz há pessoas a produzirem outros bens com a energia. Pouco ou nada se ouve falar de reserva energética destinada à indústria, mas existe. Numa pesquisa demorada, e depois de uns cálculos, apurei que a indústria vai precisar de 283,5 MW, que corresponde a 25% da energia prevista até 2025. Não seria nada má ideia existir uma espécie de uma ENDEMET para dar, regularmente, as previsões de procura e oferta de energia e as quotas massivamente divulgadas para que os investidores do sector industrial possam realizar seus investimentos com base na previsibilidade. A estabilidade da corrente eléctrica é um dos grandes calcanhares de Aquiles para quem pretende investir no sector industrial no nosso país. Uma ENDEMET, que divulgue as projecções energéticas, seria muito útil.