Educar a sociedade a partir da base (Parte I)

Na sua visita aquando da inauguração da centralidade Zango 8000 no dia e escolas no dia 19/12/2019, o Presidente João Lourenço fez um dedicatório – no quadro da sala de aula – nos seguintes termos:

15 Jan 2020 / 12:02 H.
Patrício Batsikama

“Às meninas e aos meninos desta Escola, votos de muito sucesso no processo de aprendizagem para que no futuro possam servir o nosso País em todas as áreas. O Futuro está na vossa geração. Feliz Natal e um Próspero Ano Novo para todos”.

Vamos reflectir bocado sobre a educação. Do modo geral, verifica-se que em Angola, logo no primeiro ano do ensino superior, os estudantes trazem (na sua maioria) capitais culturais muito baixos da média. Verifica-se, também, três preocupações no professorado:

(i) professores com pouca experiência, licenciados recém formados;

(ii) os poucos professores mestres e doutores que há não produzem realmente e, o que é curioso, não fomentam o saber;

(iii) asuniversidades dispõem de poucos recursos (falta de laboratórios, por exemplo), limitam-se no ensino e raras entre

elas realizam o lado empresarial para o desenvolvimento académico. No ensino médio, os professores se queixam da mesma situação e as preocupações são quase as mesmas. Isso nos remete ao ensino primário que é a base. Vamos expor, a seguir, uma visão que possa culminar com a supressão considerável dos indicadores de falta de qualidade na Educação Nacional. A pergunta que se faz é:

Qual educação seria útil para Angola?

O mundo contemporâneo vive, simultaneamente, vários problemas associados ao sujeito tais como: submissão à

vontade externa, insatisfação profunda, desprezo identitário, pobreza mental e material, sofrimento diário, menosprezo social (exclusão), desconforto integracional, etc. A esses problemas, adicionamos a cultura de guerra no caso de Angola que enfrenta os ventos da “reforma educativa” assim como a notável tese sobre a “democracia na educação”. Para responder à pergunta feita, olhamos três campos:

(a) qualidade professoral e formação do professor;

(b) espaços da Educação e ferramentas;

(c) identidade educacional (e capital social por construir) e qualidade patriótica.

a. Qualidade professoral e formação do professor

A Educação é uma vocação, diz-se, e não um emprego. Para evitar ter professores empregados literalmente interessados com o seu salário (PLATÃO, 1972: 38, 54), importa fazer uma revisão sobre os critérios para uma vocação. A vocação pressupõe habilidades que gerem competência para exercer uma profissão como carreira. Isto é, a selecção dos indivíduos que se candidatam para o professorado deve obedecer aos critérios que garantam que os escolhidos tenham vocação. Ora, nem toda vocação expõe qualidade desejada. Por isso, impera formação permanente do professor para garantir a sua qualidade professoral.

A formação do professor passa por três exigências:

(i) pedagogia crítica: exige-se no professor maior racionalidade no discurso crítico do produtor, uma crítica das perspectivas críticas da reprodução, um trabalho intelectual transformador;

(ii) personalidade do professor: as qualidades de líder são necessárias dado que ele lidará constantemente com pressão estudantil e administrativa. Requer-se capacidade de gestão: fazer planificação e corrigi-la frequentemente para melhorar seu trabalho;