Chivukuvuku e a morte à nascença do PRA- JÀ!

28 Jul 2020 / 16:40 H.
Estevão Martins

As evidencias indicam, até prova em contrário, que a sentença do projecto político liderado por Abel Chivukuvuku já tinha sido ditada, há bastante tempo, a julgar pelo desenrolar dos últimos acontecimentos, com destaque para a entrada em cena de uma suposta carta do Tribunal Supremo, que orientava o Tribunal Constitucional (TC) a chumbar a nova iniciativa do político forjado nas fileiras da UNITA, maior partido da oposição, que entretanto viria abandonar o partido em 2012 - de onde militou desde 1974 - para no mesmo ano fundar a CASA-CE.

Prova disso é a machadada final, dada esta semana pelo TC, ao recurso interposto pela comissão instaladora do Partido do Renascimento Angolano - Juntos por Angola (PRA-JA Servir Angola).

O Tribunal Constitucional justificou o “chumbo” do recurso interposto para a legalização da formação política alegando que algumas assinaturas de cidadãos não estarem em conformidade com as que constam das cópias dos seus bilhetes de identidade, facto contrariado, recentemente, pelo director nacional dos Registos e Notariado.

Ainda sim parece que o TC não levou em conta os argumentos da instituição afecta ao Ministério da Justiça. Serafim Simeão, um dos membros da Comissão Instaladora considerou de “pobre e muito falso” os argumentos do TC, notando não ter dúvidas que existe perseguição política, e que a Justiça em Angola depende do poder político.

É a morte prematura, ou seja, à nascença da força política que Abel Chivukuvuku arquitectava para tornar-se na alternância do poder instituído há 45 anos no País. Mesmo dispondo de outras chances para recorrer ao Abel só lhe resta à consolação, infelizmente.

Vê “mão invisível” do MPLA em mais um chumbo ao seu projecto político, acusação rejeitada pelo maioritário, negando qualquer envolvimento do partido no poder em decisões das instituições judiciais. Não descartando um eventual regresso às fileiras da UNITA, defendido por alguma corrente do partido dos maninhos, Chivukuvuku diz que a prioridade nesta altura passa ainda pela legalização do seu PRA-JA Servir Angola, que se torna agora numa autêntica miragem.

Os próximos capítulos ditarão o futuro do político.

Temas