Cartão Vermelho

19 Out 2020 / 12:00 H.
Estevão Martins

A exibição do cartão vermelho, pelo grupo parlamentar da UNITA, ao discurso proferido sobre o Estado da Nação pelo Presidente da República, João Lourenço, na Assembleia Nacional, constituiu mais um sinal de descontentamento dos parlamentares face ao rumo que o País tem trilhado nos últimos anos, marcado por um elevado custo de vida, que afecta de forma particular o povo que representam.

Ao contrário do acto ocorrido no ano passado, na qual o partido do Galo Negro exibiu um cartão amarelos dentro do plenário, desta vez os cartões (vermelhos) foram exibidos no exterior da sala, no fim da cerimónia de abertura do novo ano legislativo.


A UNITA tem sido useira e vezeira neste tipo de atitude, que o diga o antigo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, que também já provou do “veneno vermelho” no parlamento em 2016. Na ocasião, os parlamentares alegaram que o ex-Chefe de Estado falou de um País inexistente, portanto irreal.

Desta vez, os deputados do maior partido da oposição consideram que o discurso do Presidente João Lourenço mostrou um retrato pouco fiel daquela que é a situação real do País, perante o grau de dificuldade porque passa a maioria da população.


O vice-presidente do grupo parlamentar da UNITA, Maurílio Luyele, disse, por exemplo, que o Presidente apresentou uma economia dinâmica, que, no entanto, não traz pão à mesa das famílias, que entre outros factos justificou a atitude tomada pela do partido do Galo Negro.

A realização das eleições autárquicas, que, entretanto, foram adiadas sine die e confirmadas por João Lourenço que diz não haver condições por não estar concluído o pacote legislativo necessário, é das questões que mais preocupa a oposição e que, certamente, vai dominar a IV Sessão Legislativa da IV Legislatura da Assembleia Nacional.


A oposição mostra-se preocupada pela forma como o Presidente da República encara o processo autárquico e está insatisfeita pela aparente falta de vontade política por parte do Executivo, quanto à realização das primeiras eleições autárquicas no País. As declarações do PR deixaram ainda mais desconfiada a oposição que acredita na possibilidade de as eleições não serem realizadas antes de 2022.