Transformação digital

Apesar da transformação digital indiciar um entendimento de aplicação da tecnologia, na realidade corresponde a uma nova mentalidade e cultura digital com impacto profundo na estratégia e modelo de gestão das empresas. Este novo paradigma permite reestruturar o modelo de negócio e operacional enraizado na tecnologia aplicada a produtos, colaboradores, processos, relação com clientes e com parceiros de negócio.

Angola /
18 Mai 2022 / 12:08 H.
Francisco Santana Guimarães

A tecnologia é hoje uma parte integrante da vida não só das pessoas, mas igualmente das empresas, instituições públicas, reguladores e sociedade em geral.

Desde sempre a introdução de novas tecnologias sempre foi um dos motivos para saltos relevantes da humanidade. Actualmente, a utilização de novas tecnologias como inteligência artificial, blockchain, RPA (Robotic Process Automation), Internet das Coisas, desenvolvimento de software em Low-Code, Cloud Computing, 5G, impressão 3D, realidade virtual, realidade aumentada, entre outras, permitem posicionar a humanidade num novo patamar de transformação.

A utilização destas tecnologias é hoje aplicada não só na optimização de processos de trabalho, mas de forma mais crítica, fazem hoje parte uma oferta de valor pois estão embutidos em serviços e produtos das empresas e instituições. Esta realidade introduz um impacto na segmentação ao nível de produtos, clientes e canais, assente numa criação de modelos não só de consumo por parte de clientes, mas também numa utilização baseada na experiência da própria utilização. Isto é, na forma como as pessoas passam a estar ligadas entre si e às empresas e instituições através de canais de acesso digital 24*7 e privilegiando a user-experience com níveis de serviço assentes em processos ágeis e digitais.

É neste contexto que se posiciona um entendimento de que a humanidade está perante uma 4ª Revolução Industrial. Por outro lado, surgem empresas emergentes ao nível FinTech, InsurTech, RegTech, Digital Commerce ou do paradigma da Indústria 4.0, que são hoje uma realidade transformadora em determinados sectores de actividade.

Este facto aponta, no entanto, para as ameaças não só destas novas empresas face às incumbentes, mas também para a necessidade de implementar novos modelos de negócio assentes em ecossistemas de relação complementar entre empresas para a criação de um maior valor agregado para o consumidor e racionalização de custos dos produtores.

Apesar da transformação digital indiciar um entendimento de aplicação da tecnologia, na realidade corresponde a uma nova mentalidade e cultura digital com impacto profundo na estratégia e modelo de gestão das empresas. Este novo paradigma permite reestruturar o modelo de negócio e operacional enraizado na tecnologia aplicada a produtos, colaboradores, processos, relação com clientes e com parceiros de negócio.

Face à importância da transformação digital para alicerçar uma empresa moderna e de futuro, é de louvar a forma como a Academia BAI estruturou o seu programa SerPro, SerTIC e SerLider em torno da inovação tecnológica, transformação digital e organizações ágeis.

O programa da Academia BAI irá permitir conhecer e refletir sobre as várias dimensões necessárias para o entendimento da transformação que é necessário operar ao nível da organização, pessoas, estratégia, modelo operativo, adopção de tecnologia e liderança das empresas, além dos riscos de Cibersegurança derivados desta exposição potencial ao risco.

* Presidente ISACA Lisbon Chapter, Professor Universitário e Consultor em Sistemas e Tecnologias de Informação.