Resgate dos travellers cheques e cheques bancários (II)

Se os traveller's cheques já não estiverem na moda, por que razão não massificar os cartões visa, dando-lhes o cunho de confiança e fiabilidade de que já usufruíram antes das crises de 2007 e 2014?

30 Set 2019 / 17:34 H.
Pedro Cunha Neto

Se essas notas tinham como destino Angola e de Angola viajavam para outras paragens tidas como pouco ou nada recomendáveis, é lógico que o país emissor desse dinheiro, mesmo sendo negócio rentável vender cédulas " papel" por matérias primas como o petróleo, começou a colocar objecções a principio e recorreu a outros meios para impedir a venda de notas aos bancos angolanos. Não nos parecendo ser este o momento de nos debruçar sobre os danos à economia do País e da sua imagem interna e externa, comprometemo-nos a trabalhar este tema no próximo artigo.

À guisa de conclusão, por que razão não recorrer a meios de pagamentos, para quem viaja para o exterior, que não sejam o dinheiro vivo? Se os traveller's cheques já não estiverem na moda, por que razão não massificar os cartões visa, dando-lhes o cunho de confiança e fiabilidade de que já usufruíram antes das crises de 2007 e 2014? Necessário é que haja um serviço bancário de excelência, para que o angolano seja ele de que nível social for, quando viajar e receber o cartão visa ou outro meio de pagamento, esteja devidamente esclarecido sobre o montante máximo a que terá acesso e absolutamente seguro que não terá qualquer dissabor lá fora. Segundo, para tentar explicar como funcionam os correspondentes bancários com os quais os bancos nacionais se relacionam.

Necessidade e papel dos Correspondentes Bancários

Antes de uma operação comercial de exportação ou importação de mercadorias e serviços, os operadores, empresas publicas ou privadas, fazem acordos tácitos ou explícitos. Entre os demais itens, é essencial a indicação das condições financeiras como a forma de pagamento, a moeda, e o banco receptor " intermediário" da entidade que fornece o bem ou o serviço " o exportador.

No caso concreto da nossa matéria prima mais importante, o petróleo, cabe ao exportador, no respectivo contrato, indicar com detalhe, entre outros, o valor, as condições de pagamento, as referências bancarias, onde o montante resultante da venda deve ser depositado. Naturalmente, o fiel depositário devia ser um banco nacional, o que quer dizer que importador americano, chinês ou outro, devia comprar kwanzas com os seus dólares ou outra divisa e depositá-los na conta indicada pelo exportador, num banco angolano. Detalhes sobre as autorizações de transferência de dólares dos EUA para Angola, etc, etc., e em território nacional a obrigatoriedade da venda desses dólares ou outra divisa ao gestor cambial, seriam matéria de um outro tema.

O que importa aqui frisar é que com crónicos deficits da nossa balança de pagamentos, salvo os anos em que ocorreu o boom do preço do petróleo, os dólares resultantes da venda de petróleo ou de outros bens exportados, ficavam nas contas do BNA, fora do País, na sua qualidade de gestor cambial. Aos fiéis depositários dessas contas são chamados correspondentes. De realçar que nesses anos de penúria divisas, esses depósitos não ficavam lá por muito tempo. A figura típica de "chapa ganha chapa gasta", servia que nem uma luva. Esse é um dos papéis de correspondente bancário. O outro papel, e esse exige conhecimento e confiança entre os bancos dos dois operadores, o exportador e o importador, é de facilidades creditícias que se resumem num formato que explicarei na conclusão deste tema.