O uso musculado da força

Luanda /
10 Fev 2021 / 11:21 H.
Estevão Martins

O acto perpetrado pelas forças de defesa e segurança (Polícia Nacional e FAA) na vila diamantífera do Cafunfo, província da Luanda Norte, assemelha-se, sem sombras de dúvidas, a um massacre, tal lembra os factos ocorridos em 2015 no Monte Sumi, no Huambo, contra os fiéis da seita A Luz do Mundo, de José Kalupeteka. O homem, entretanto, acabou condenado a 28 anos de prisão maior e nos confrontos morreram, segundo testemunhas mais de 700 pessoas.

No episódio da último semana, a violência das forças terão causado mais de 20 vítimas mortais, citando familiares dos sinistrados, embora a polícia fixe a quantia em apenas seis mortos e um número indefinido de feridos. Os argumentos evocados, quer pelo titular da pasta do Interior, quer pelo comandante geral da PN não colhem.

Aliás, Paulo de Almeida, cujas declarações mais se pareciam a de um arruaceiro, foi infeliz na sua abordagem eivada de ódio contra os manifestantes, como que de cães se tratassem e servissem apenas de carne para canhão. O discurso de Paulo de Almeida já não se compadece com o cargo que ocupa na esfera castrense.

Em 2011, por exemplo, aquando dos desmaios que ocorreram em diferentes estabelecimentos de ensino e igrejas a nível do País, o então segundo comandante da PN insurgiu-se contra a imprensa devido à divulgação do fenómeno, situação que acreditara, na altura, ter facilitado a sua propagação.

Paulo de Almeida chegou mesmo a admitir que as causas dos desmaios tinham de ver com a fome, afirmando que muitos estudantes iam à escola sem comer. Aquando dos acontecimentos do Monte Sumi, Paulo de Almeida, inicialmente informou que não houve mortos da parte dos seguidores de Kalupeteka, tendo argumentado que os agentes da sua corporação se sujeitaram a três horas de fogo intenso contra os membros da Igreja mas não responderam, porque havia velhos, mulheres e crianças. Portanto, as falácia do agora comissão geral não são novas e metem nojo, mais quando provêm de um alto dirigente da PN, sobretudo para justificar mortes ocorridas em situações duvidosas.

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